Débora Falabella comenta futuro de Lucinda, sua personagem em ’Terra e Paixão’Jorge Bispo

Rio - A atriz Débora Falabella, de 44 anos, tem conquistado o carinho do público ao interpretar Lucinda, a gerente da Cooperativa agrícola da cidade fictícia de Nova Primavera, na novela "Terra e Paixão", da TV Globo. A personagem, que já enfrentou as agressões do ex-marido alcoólatra, Andrade (Ângelo Antônio), e luta contra o bullying sofrido pelo filho, Cristian (Felipe Melquiades), que é albino, está tentando reconstruir a própria vida e permitindo-se aproveitar o amor de Marino (Leandro Lima), o delegado local. Em conversa com o DIA, a atriz comemora o apoio dos telespectadores e opina sobre a nova fase de Lucinda na obra de Walcyr Carrasco.

No início da trama das 21h, Lucinda chegou a perdoar diversas agressões de Andrade, pois acreditava que manter seu casamento, apesar de tudo, era a coisa certa a ser feita. Débora relembra que, na ocasião, as decisões da personagem não foram compreendidas por muitos daqueles que acompanhavam a novela.

"Acho que essa incompreensão, infelizmente, reflete a nossa sociedade, que muitas vezes não compreende o abuso, culpabiliza a mulher e não entende que essa violência é algo estrutural", pondera a artista, que aproveita para ressaltar a adesão atual do público em relação à personagem.

"Ela é muito real e isso faz com que o público se aproxime dela. É muito bom quando você consegue interpretar uma personagem lúcida, batalhadora e capaz de conquistar. A Lucinda, nesse momento da novela, está feliz, e vejo que o público está com ela", celebra.

A artista, que já interpretou papéis fortes como Mel, de "O Clone"; Rita/Nina, de "Avenida Brasil" e Irene, de "A Força do Querer", admite que o nível de complexidade para viver a personagem de "Terra e Paixão" foi elevado, especialmente no começo da obra.

"No início da novela, ela sofria muito com a violência do marido e lidar com essas questões não é algo fácil, principalmente quando sabemos que milhares de mulheres passam por isso", lamenta a atriz.

"Era preciso que as pessoas compreendessem a personagem e o porquê dela continuar nessa relação. E isso só é possível quando o público se identifica. Outra questão da Lucinda é que ela é uma personagem boa, íntegra. E não é tão simples interpretar personagens assim, sem ser algo fora da realidade. O público gosta de personagens que erram, se diverte com vilões, e as personagens que têm uma conduta correta muitas vezes, por incrível que pareça, não causam tanta empatia", explica Débora, que desde o momento em que foi escalada, tem se dedicado à humanização do papel.

Ao ser questionada sobre a contribuição de Lucinda para a conscientização do telespectador acerca da violência contra a mulher, a atriz afirma que enxerga um papel social no desenvolvimento de personagem.

"Acredito, sim, que ela contribua para a conscientização das pessoas. Principalmente no início da novela. E acho muito bonito nesse momento a Lucinda ser feliz, e o público vê-la assim, sendo feliz com um novo amor, voltando a se reestruturar e reconstruir sua dignidade e sua família", opina.

Satisfeita com o rumo traçado pelo autor para a jornada da personagem, Débora aproveita para enaltecer o romance entre a gerente da Cooperativa e o delegado Marino.

"A relação dos dois é muito bonita, foi muito bem construída! São dois personagens que passaram por muitas coisas na vida, erraram, sofreram, mas agora querem crescer juntos. Acho bonito mostrar uma mulher se reconstruindo na vida e amando novamente, sendo respeitada e também amada e desejada", comemora.

A respeito da relação entre Lucinda e o ex-marido, que segue tentando recuperar sua confiança, a atriz afirma que a história está sendo "bem conduzida".

"O Andrade está saindo do vício e lidando com seu comportamento, que culminou na separação. E acho que a Lucinda espera que ele seja um bom pai, mas também entendo que ela não esqueça o que viveu", reflete.

Entre os muitos desafios presentes na trajetória de Lucinda encontra-se também a maternidade. De acordo com Débora, a forma como a personagem tem conduzido as necessidades do filho durante o divórcio demonstra que ele é a pessoa mais importante para ela.

"Ela está descobrindo como lidar com a separação. Como manter uma relação possível e como confiar no ex-marido agressor. Como mostrar para o Cristian que ele segue sendo filho do Andrade e como o Marino entra na vida deles. Acho que ela tem tido uma conduta maravilhosa. Respeitando todos os lados. Nada é mais importante para ela do que o filho", destaca a artista, que na vida real é mãe de uma menina, Nina, de 14 anos.

Vida de atriz e relações pessoais
Débora Falabella, que sempre foi muito discreta, surpreendeu o público ao surgir no TikTok, plataforma em que tem feito posts divertidos sobre o seu dia a dia como atriz. Por lá, ela compartilha os bastidores das gravações, e o fato de estar quase sempre na ponte aérea, já que mora em São Paulo e grava o folhetim no Rio. A artista conta que a imprevisibilidade da semana faz com que ela passe por dias extremamente atarefados e outros mais tranquilos.

"O problema e a solução da vida de uma atriz é a falta de rotina. Mesmo quando estamos gravando, nunca sabemos nosso dia de folga, nossos horários. Então temos momentos mais corridos e outros tranquilos, principalmente entre trabalhos. Atualmente, estou trabalhando em outra cidade. Então, realmente é mais difícil, porque fico longe de casa e da família. Tenho vivido na ponte aérea", explica a artista, que ainda está no ar como Irene, na série "Fim", escrita por Fernanda Torres.

Para conseguir enfrentar seu ritmo frenético de trabalho, a atriz afirma que dedica-se a cuidar da própria saúde.

"Para fazer uma novela tão longa, como 'Terra e Paixão', o que funciona pra mim é cuidar da saúde. Nesse período, fico ainda mais atenta aos exercícios, alimentação e os momentos de folga, que são muito importantes e precisam ser bem aproveitados. E é claro, terapia sempre", diz.

Apesar da administração do tempo já ter sido uma questão para Débora no passado, ela admite que, hoje em dia, consegue dividir muito bem as tarefas, conseguindo estar presente para o marido, a filha, os amigos e a família.

"Acho que com o tempo vamos entendendo que não precisamos fazer tudo ao mesmo tempo. Eu amo meu trabalho e tenho dividido melhor meu tempo de lazer e profissional. Tenho também uma rede de apoio maravilhosa que está presente quando não estou!", conclui. 
Reportagem da estagiária Esther Almeida sob supervisão de Tábata Uchoa
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