Pedro Caetano interpreta Matias em ’Volta Por Cima’Divulgação/Nanda Seixas

Rio - Pedro Caetano, de 42 anos, leva para a ficção a alma do subúrbio carioca que marcou sua infância nas ruas do Engenho de Dentro e do Méier, na Zona Norte do Rio, na pele de Matias em "Volta Por Cima", da TV Globo. O ator retorna para a reta final da novela das 19h depois de uma viagem realizada pelo documentarista para um festival de cinema na Europa após o fim do romance com Madalena (Jéssica Ellen). 
"Jéssica é de uma generosidade e acolhimento impressionantes. Segurou na minha mão desde o início e conseguimos construir uma dinâmica leve e divertida entre os personagens. Concluímos que a vida da Madalena já era repleta de atribulações, então fazia mais sentido ter um personagem que conseguiria trazer uma relação mais sensível para ela, sem tantas cobranças. Acho que deu certo", diz.
O primeiro contato do personagem com Madalena foi em uma roda de jongo, dança afro-brasileira que é praticada ao som de tambores. "Já tinha contato com jongo, principalmente por ser capoeirista. É uma tradição de minha ancestralidade e algo que admiro, que gosto de ouvir, de observar, de estar perto. Sou apaixonado pelo som do atabaque, seja na capoeira, no jongo, samba de roda, candomblé". 
O desafio de entrar na trama para integrar o triângulo amoroso com Madá e Jão (Fabrício Boliveira) não intimida o intérprete de Matias. "É uma motivação a mais para mim, já que o desafio se torna maior. O público gosta de histórias bem contadas, e a torcida pelo casal é uma comprovação do sucesso dessa história. Tentar fazer com que a torcida do público fique dividida é uma parte divertida da profissão". 
A tensão entre Matias e Jão aflora quando o personagem começa a gravar um documentário sobre o grupo de bate-bolas Dragão Suburbano, liderado pelo protagonista. "Ver o amor de sua vida seguindo a vida com outro definitivamente não é uma situação fácil para ninguém. Mas os autores abordaram esse encontro de uma forma muito cuidadosa, priorizando o respeito e cuidado entre dois homens negros, algo extremamente importante de ser representado nos dias de hoje".
O artista reviveu as memórias da infância, principalmente as festas de rua e os bate-bolas, figuras tradicionais do Carnaval do Rio. "É realmente muito gratificante ver uma cultura até hoje considerada marginalizada sendo retratada com tanto cuidado. Mesmo para mim, criado no subúrbio e tendo vivenciado de perto as festas e os desfiles, foi uma surpresa conhecer a fundo a tradição por trás do trabalho, as histórias e legado. Acho cada vez mais importante que essas tradições sejam retratadas e incluídas no nosso imaginário", destaca. 
Pedro Caetano comenta a paixão por documentários, produção audiovisual na qual o personagem dedica a vida profissional. "Acho que de alguma forma projetei um pouco de mim no personagem. O documentário tem um papel fundamental, de conscientizar, de dar voz, de trazer foco para uma história, mas principalmente, de fazer tudo isso através da sensibilidade. Acho que a sensibilidade é um ingrediente fundamental para um bom documentário. Essa foi a característica que mais tentei trazer para o Matias". 
Nesta reta final de "Volta Por Cima", Matias planeja uma reunião com Silvia (Lellê), ex-affair de Jão e proprietária de uma academia. O encontro pode ser o início de um novo amor. "Acho que seria um bom final. Acho que Matias e Silvia combinam bastante, na forma de pensar e de olhar para as pessoas ao redor. Mas só vamos saber nesta última semana (risos)". 
Cinema 
O ator destaca a participação no longa-metragem "Câncer com Ascendente em Virgem", que estreou em março nos cinemas. A história aborda a jornada de cura e autoconhecimento de Clara (Suzana Pires) após a descoberta de um câncer de mama.
"É um time tão magnífico que não tinha como dar errado. Rosane Svartman, Suzana Pires, Marieta Severo, e mais um elenco, equipe e produção incríveis. Não tinha como dar errado. O filme é um primor, uma aula de sensibilidade na abordagem de um tema tão delicado e tão difícil de ser abordado com humanidade. Sou muito grato por fazer parte de uma obra tão importante", elogia. 
Pedro Caetano ressalta a importância da produção em passar uma mensagem para as mulheres que enfrentam a batalha contra a doença. "É possível ter vários olhares para essa questão, principalmente de que há muita vida dentro da luta. O filme exalta a família, a vida, a arte e o amor. A vida não acaba quando a doença chega. Ela continua. E mesmo na dificuldade ela segue com muitas possibilidades de beleza e aprendizado".