Jeniffer Nascimento vive primeira mocinha da carreira em Etâ Mundo Melhor!Divulgação/Caio Oviedo
Jeniffer Nascimento apoia nova fase de Dita em 'Êta Mundo Melhor': 'Grande heroína'
Artista de 31 anos revela desafios ao interpretar a personagem e reflete sobre experiências que moldaram trajetória
Rio - Aos 31 anos, Jeniffer Nascimento conquista um novo patamar em sua carreira ao reviver Dita em "Etâ Mundo Melhor!", novela das 18h da TV Globo. A personagem assume o protagonismo da trama de Walcyr Carrasco, trazendo novas camadas e desafios para a mãe de Joaquim (Tom Zé) após receber um telegrama anunciando a morte de Filó (Débora Nascimento).
"É uma grande colheita de anos de dedicação, de abdicar muitas vezes de uma infância e até de uma vida pessoal para alçar voos mais altos. A vida e a minha dedicação esses anos todos na minha profissão me prepararam para desfrutar desse momento da melhor forma possível para não desperdiçar nenhuma oportunidade e colocar todo o meu coração nessa protagonista que eu tanto esperei e finalmente chegou", destaca a atriz.
A mocinha parte rumo à São Paulo atrás de informações sobre a cunhada e encontra na música a chance de permanecer na cidade grande. "Esse movimento da Dita conta sobre muitos brasileiros que vieram dos interiores em busca de viver o grande sonho e se deparam com uma realidade completamente diferente, que não tem o mesmo acolhimento, onde precisa se adequar aos costumes e ao comportamento daquele local para que você tenha minimamente uma oportunidade".
O pontapé inicial de Dita na carreira artística é em um concurso de calouros. Ela vence a disputa e assina contrato para se tornar uma cantora de rádio. A atriz, então, revela suas inspirações para compor a trajetória artística da personagem.
"Tenho bebido muito da fonte das rainhas das rádios porque Dita vai cantar bastante. Estudo muito Carmen Miranda, Dalva de Oliveira vocalmente falando, é minha musa, é a que mais escuto. Escuto muito Isaura Garcia também, Aracy de Almeida. Tem muitas cantoras incríveis dessa época. Estou estudando com muito prazer porque é uma época riquíssima de técnica e de qualidade vocal", diz.
A atriz entrega que, se pudesse, adoraria ter conhecido pessoalmente as grandes cantoras da época em que sua personagem vive. "Ia querer conhecer alguma das divas das rádios americanas. Billie Holiday e Ella Fitzgerald porque foram mulheres pretas que romperam barreiras, na época da segregação racial, lotavam casas de shows com pessoas brancas. Tem uma história muito famosa da Billie Holiday que ela lotou o Carnegie Hall, mas tinha que entrar pela porta dos fundos mesmo com todo mundo estando ali para poder assisti-la, porque o contexto social não permitia viver isso", recorda.
A intérprete de Dita menciona Tony Tornado, colega de elenco, com admiração. Aos 95 anos, o artista vive Lúcio, dono da Rádio Paraíso, e um dos grandes incentivadores de Dita. "Ele é um legado vivo da nossa história e que fez muito pelo povo preto. Esses dias na gravação ele falou para mim: 'Que bom que eu estou vivo para poder ver isso', me ver em cima do palco como protagonista cantando e eu falei: 'Só por essa frase já valeu ter feito a novela inteira'. É muito legal ter essa troca com ele, que me fala que era amigo da Carmen Miranda, sabe? Eu aproveito ao máximo. Tenho um respeito imenso por tudo que eles viveram."
Se uma competição musical é o ponto de partida da carreira de Dita, esse cenário não é nenhuma novidade para Jeniffer Nascimento. A artista relembra a passagem pelo "Fábrica de Estrelas", do Multishow, em 2013, que deu origem ao extinto grupo Girls, e no "Popstar", da TV Globo, em 2018.
"Esses momentos do concurso da rádio é literalmente a Jeniffer emprestando para a Dita uma sensação extremamente familiar de estar numa competição e toda aquela insegurança de cantar na frente de um público que vai julgar se gosta de você ou não e ter essa vitória. Muito saudoso reviver essas sensações. Estou feliz em expressar essas duas artes com excelência e tendo a oportunidade de mostrar para o público que eu me preparei para isso a vida toda", afirma.
Jeniffer divide suas expectativas com a nova fase da protagonista e expressa o desejo de que a personagem mostre para outras mulheres que é possível reescrever a própria história. "Espero que o público se identifique com a Dita, se inspire, porque vejo ela como uma grande heroína. Acho que a Dita representa muita resiliência, força e vontade de viver. Nunca é tarde para recomeçar, nunca é tarde para seguir um sonho. E que não precisa deixar de ser você para conseguir realizar todas essas coisas, e nem se perder no meio do caminho", aconselha.
A virada na trajetória da personagem também é marcada pelo fim do casamento com Quincas (Miguel Rômulo), apresentando desafios por conta do contexto social na década de 1940. "É uma decisão muito difícil numa época em que a mulher separada era vista como desquitada, ainda mais com um filho. Vejo muito a minha avó materna nessa história, porque ela teve a minha mãe muito cedo e não estava feliz no relacionamento. Ela saiu da relação e veio para São Paulo tentar a vida, só que ela veio sozinha, uma mulher preta, nordestina", conta.
A mocinha reencontra Candinho (Sérgio Guizé), em São Paulo, e ganha uma nova oportunidade de ser feliz no amor após o filho de Anastácia (Eliane Giardini) se encantar pela amiga. "Encontrar o Candinho que, apesar de ter dinheiro agora, não esqueceu a sua essência, continua com o seu sotaque e agindo da forma que ele acredita naquele lugar tão hostil, é reconfortante para ela, é um lugar familiar e onde ela se reconhece. Então, é uma troca muito bonita a pureza e a ingenuidade desses dois personagens."
Diversidade
Jeniffer Nascimento comemora a oportunidade de assumir o protagonismo da faixa das 18h logo após Duda Santos, que fez a mocinha Beatriz em "Garota do Momento". A atriz reflete sobre o significado de integrar essa sequência histórica de novelas com protagonistas negras e destaca a importância da representatividade na TV aberta.
"Estou muito feliz de celebrar a vitória das minhas amigas, de encontrá-las e vibrar pelas conquistas delas sem que isso tenha que ser uma preocupação se também vai ter espaço para mim, sabe? Porque por muito tempo só tinha espaço para uma. Por mais que a gente torcesse por alguém, era sempre desconfortável porque era sempre esse lugar de só vai dar para ser uma, não vai dar para todo mundo ser feliz ao mesmo tempo. Agora está dando para todo mundo ser feliz ao mesmo tempo", comenta.
Segundo a artista, estrelar uma novela de época sendo uma mulher preta é uma conquista que rompe com os estereótipos de subserviência. "Tenho certeza que esse é o sonho das nossas ancestrais e elas estão vibrando muito por isso. É muito legal poder mostrar outras camadas daquelas mulheres tão fortes, tão potentes, que por muito tempo foram tão silenciadas e tiveram suas histórias apagadas".





