Malu Galli Chico Cerchiaro / Divulgação
Malu Galli fala sobre reviravolta de personagem em 'Vale Tudo' e carreira: 'Me sinto sempre uma novata'
Atriz ainda comenta os desafios de envelhecer em cena e diz como a fé influencia sua vida; confira
Rio - Malu Galli, 53 anos, enfrenta um de seus maiores desafios na televisão ao interpretar Celina Junqueira no remake de "Vale Tudo", da TV Globo, clássico da teledramaturgia brasileira exibido originalmente em 1988. Se antes a personagem vivida por Nathalia Timberg era uma figura recatada e submissa à poderosa irmã Odete Roitman (Debora Bloch), agora, nas mãos de Malu, ganha voz, identidade e protagonismo.
"Eu procurei pensar qual Celina me caberia, seria correspondente a mim: meu temperamento de atriz, minha imagem, em 2025, com 53 anos. Uma Celina possível para a Malu defender", define a artista.
Viúva e sem filhos, a personagem abriu mão de suas vontades para criar os sobrinhos, Afonso (Humberto Carrão) e Heleninha (Paolla Oliveira), com toda a dedicação e amor, e sofre em silêncio. "O afeto que ela doa é reconhecido. Ela recebe de volta dos dois sobrinhos. Não a vejo invisibilizada. A dor dela vem de se sentir impotente ao tentar ajudar Heleninha, e por não ter dado vazão aos próprios desejos", analisa Galli.
Na nova versão da novela, escrita por Manuela Dias, Celina surge como uma mulher que, mesmo dentro da estrutura conservadora de sua família, decide buscar autonomia. O ponto de virada da personagem acontece depois que ela é vítima de uma armação de Odete. A dona da TCA enviou uma foto de Heleninha (Paolla Oliveira) bêbada para um jornalista e colocou a culpa em Esteban (Caco Ciocler), que até então era namorado de Celina, só para poder retornar à Europa sem questões familiares para lidar.
Não demorou muito para Celina descobrir que a irmã era a grande responsável pelo término de seu relacionamento com o marchant (negociador) espanhol, e a confronta. No embate, a executiva humilha a viúva e diz que ela enfrenta uma grande crise financeira. "Celina vive a cena internamente de um jeito e externamente de outro. Por dentro, há um turbilhão; por fora, águas calmas. Ela defende seus afetos e crenças sem revolver (movimentar) estas águas", avalia Malu.
Depois da briga familiar, Celina pede a ajuda de Cecília (Maeve Jinkings) para conseguir administrar os bens dela e se torna sócia de Raquel (Taís Araujo) e Poliana (Matheus Nachtergaele) no restaurante Paladar. Inclusive, em capítulo previsto par ir ao ar nesta semana, a empresa de catering vai fechar negócio com a TCA.
Malu comemora a reviravolta na vida da personagem. "Eu me sinto feliz de poder inspirar mulheres a tomarem as rédeas de suas vidas. Porque a novela tem esta função exemplar. Que a Celina sirva de exemplo para todas e todos que se sentem reféns de algo", declara a atriz.
No folhetim, Celina também se destaca pela elegância e apreço pelas flores. "A flor e a jardinagem são imagens perfeitas para Celina. Representam o oposto do poder do dinheiro", acredita a artista.
Carreira e maturidade
Além de "Vale Tudo", Malu está no elenco de "Querido Mundo", novo longa de Miguel Falabella previsto para estrear até o fim do ano. Ela ainda prepara seu primeiro projeto musical, um show inspirado na obra de Luiz Melodia. "Vai ser o meu primeiro como cantora, algo que me enche o estômago de borboletas", revela.
Com mais de 30 anos de carreira, Malu iniciou sua formação artística ainda na infância e construiu uma trajetória sólida. Na televisão, se destacou nos papéis de "Queridos Amigos" (2008), Cheias de Charme (2012), "Amor de Mãe" (2020) e "Além da Ilusão" (2022), da TV Globo. No cinema, protagonizou o curta "Areia" (2008), e esteve em "Propriedade" (2023).
"Cada trabalho novo continua sendo um desafio para mim. Mesmo que ele se pareça com algo que já fiz, eu não sou mais a mesma, o contexto é outro. E antes de entender o contexto e como me inserir nele, com a pele daquele personagem, me sinto sempre uma novata", reflete ela, que comenta as barreiras que enfrentou e ainda existem na indústria. "Ser atriz no Brasil é paras fortes. Uma sociedade machista e etarista pode ser uma máquina compressora. Mas acho que quando encontramos nossa voz e nosso lugar como artistas, fica mais fácil ser autêntico. Acho que é esse lugar em que existo hoje".
Vida pessoal longe dos holofotes e fé
Casada há 26 anos com o artista plástico Afonso Tostes, com quem tem um filho, Luiz, de 24 anos, Malu mantém uma vida discreta. A relação familiar entre eles é pautada no amor. "Poderia falar várias coisas aqui, mas a mais importante é que nos amamos. E isso é tamanho". Na maternidade, diz que tenta equilibrar o instinto protetor com o incentivo à autonomia. "Sou mais protetora, por temperamento, tentando ser mais liberal por autocrítica", analisa.
Filha de Oxum e praticante do candomblé, a artista fala abertamente sobre como a espiritualidade influencia suas decisões. "Está em tudo o que vivo, na minha visão de mundo, na forma de me relacionar, nos sinais que procuro ver e escutar". Para ela, assumir publicamente essa fé é um posicionamento político e necessário. "Significa marcar uma posição, jogar luz sobre uma causa importante que é a luta contra o racismo religioso. Exigimos respeito. Que os crimes contra os nossos e nossas sejam punidos com rigor. Somos cultura brasileira".






