O remake de "Vale Tudo" chegou ao fim na última sexta-feira (17) e Lucas Leto tem muitos motivos de sobra para comemorar. Intérprete de Sardinha, vivido por Otávio Müller em 1988, o ator viu seu papel ganhar força graças à intensa conexão com o público. A amizade do assistente de direção da Tomorrow com Solange Duprat (Alice Wegmann) foi um dos pontos altos na história do personagem, que já deixa saudade.
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"Eu não imaginava (o sucesso). Eu quis dar o meu melhor sendo um ótimo amigo. Acho que a essência do Sardinha foi muito legal desde o início, eu já vi no texto que ele seria um cara ácido, mas também muito ético, pé no chão e estava ali sempre defendendo a amiga", analisa.
A repercussão foi além do esperado e veio de onde o ator menos imaginava. "Um cara de 50 anos que assiste futebol em vez de novela, mas estava assistindo 'Vale Tudo', falou assim: 'Eu queria ser seu amigo. Queria que o Sardinha fosse meu amigo'. Eu realmente não esperava que fosse tocar as pessoas dessa maneira."
O ator revela a dificuldade na despedida, especialmente pela forte conexão com a colega de cena, Alice Wegmann. "Eu fiquei olhando para ela... A gente não vai se ver com tanta frequência porque eu tenho meus compromissos e ela também. Mas vou tentar sempre estar com ela. Foi dando uma tristeza, mas também uma felicidade, porque a gente entregou um ciclo muito bonito", reflete.
Lucas relata que não conhecia Alice pessoalmente antes da novela, mas ouviu elogios de muitos amigos em comum. "Ela é um ser humano muito bonito, uma pessoa generosa, espiritualizada, politizada, inteligente e boa atriz demais. É uma amizade que, em cena, deu muita química. Acho que isso, com certeza, foi um dos pilares para o sucesso do personagem."
Ao falar sobre amizade, o artista menciona as pessoas que fazem esse papel fora das telas. "Eu tenho um Sardinha na minha vida. O nome dele é Matheus Pick. É a pessoa que me dá muito amor, carinho e, ao mesmo tempo, não passa a mão na minha cabeça. Isso é amizade de verdade. E tem a Gabz, a atriz que vocês conhecem, é a minha melhor amiga", conta.
Desafio no palco
Lucas também se aventura em novos ritmos com sua participação no "Dança dos Famosos". O ator, já classificado para a próxima fase, entrou na competição do programa "Domingão do Huck" para substituir o cantor Livinho.
"Sempre gostei de atuar e, a partir do teatro, eu encontrei o canto, mas eu nunca fui um bom bailarino. Fiz alguns musicais, mas sempre na última fila porque eu era ruim mesmo", admite, aos risos. "O 'Dança' pode ser uma oportunidade de ir para a fileira da frente. Estou me dedicando e está sendo um caminho bonito."
Streaming
Para quem já sente falta da atuação de Leto, o artista pode ser visto sob uma ótica diferente em "Vermelho Sangue", nova série de suspense e fantasia do Globoplay. "A gente cresce assistindo coisas americanas e pensa: 'Como seria se algo fosse feito nesse nível aqui no Brasil?' Acho que o projeto chega nesse lugar. É uma história extremamente brasileira, do interior de Minas", diz Lucas, que interpreta Juan, um jovem lobisomem marcado por uma jornada profunda de autoconhecimento e autoaceitação.
Ambientada na fictícia Guarambá, no Cerrado Mineiro, a série acompanha o encontro de Luna (Leticia Vieira), que se transforma em loba-guará a cada lua cheia, e Flora (Alanis Guillen), uma jovem que anseia pelo extraordinário. Com a mesma idade e a sensação de não pertencimento, elas veem seus caminhos se cruzarem em uma jornada de autodescoberta e desafios.
Segundo o ator, a produção impressiona pela qualidade técnica e investimento. "Eu acho que a Globo nunca fez nada nesse sentido e talvez o Brasil nunca tenha produzido uma série de fantasia nesse nível, porque tem muito efeito especial."
Para dar vida ao personagem Juan, Lucas fez questão de estudar a fundo o animal que representa. "Eu venho do teatro e a gente trabalha o tempo todo com o realismo. Então, poder fazer uma coisa que foge disso foi muito legal. Pesquisei o andar do lobo-guará, o jeito, que é muito bonito e tem muitas coisas interessantes", detalha.
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