André Lamoglia e Juliana Paes na série ’Os Donos do Jogo’Marcos Serra Lima/Netflix
'Os Donos do Jogo' estreia na Netflix e mergulha no submundo da contravenção carioca
Elenco reúne nomes como Juliana Paes, André Lamoglia, Xamã, Mel Maia, Giullia Buscacio e Chico Diaz
Rio - A Netflix estreia nesta quarta-feira (29) "Os Donos do Jogo", nova série nacional que mergulha no submundo dos jogos de azar no Rio de Janeiro. Com uma trama marcada por poder, segredos e traições entre quatro famílias rivais, a produção promete ser o primeiro grande drama de máfia carioca da plataforma. O DIA conversou com parte do elenco, que reúne nomes como Juliana Paes, André Lamoglia, Xamã, Mel Maia, Giullia Buscacio e Chico Diaz, sobre os bastidores e as expectativas em torno da obra.
Na trama, Juliana Paes dá vida à Leila, mulher de Galego Fernandez (Chico Diaz), patriarca de uma das famílias mais tradicionais do jogo do bicho. Ao lado do filho Santiago (Henrique Barreira) e do cunhado Xavier (Otávio Muller), o clã representa a velha guarda da contravenção, sustentada por códigos e valores quase sagrados.
"A gente tem personagens cheios de mistério. É a relação de um casal que vive cercado de silêncios, um casamento meio que por conveniência, os dois estão juntos ali, como inimigos íntimos", explica a artista, de 46 anos.
Para Chico Diaz, o público deve se envolver emocionalmente com os Fernandez: "Sem dúvida, o público vai gostar. Acho que, acima de tudo, eles vão entender. Não acredito que sintam ódio pelos personagens. Acho que o público vai sentir admiração pela capacidade, pela inteligência, pela forma como manipulam e mantêm o poder. Tenho orgulho dessa família também".
Já Juliana pondera que o objetivo vai além da empatia: "Eu não tenho essa pretensão de que gostem. Acho que o que a gente quer é que as pessoas reflitam, entendam a complexidade e a loucura que existem ao mesmo tempo nessa história. Mesmo com toda a sutileza, o texto é muito ágil, muito inteligente. O interessante de 'Os Donos do Jogo' é que, ao final de cada episódio, há um grande plot twist, um grande 'E agora?'. Dá muita vontade de continuar assistindo."
'Máfia bonita e sexy'
Do outro lado do tabuleiro está Profeta, vivido por André Lamoglia. Jovem estrategista, ele ascende rapidamente no mundo da contravenção. Ao seu redor estão o pai, Nélio (Adriano Garib), e os irmãos Nelinho (Pedro Lamin) e Esqueleto (Ruan Aguiar), além do fiel aliado Sombra (Igor Fernandez). "É uma máfia carioca, uma máfia brasileira. Isso é o que diferencia do que estamos acostumados a ver, como as máfias italianas e inglesas. É uma máfia muito bonita, muito sexy, que envolve Carnaval e muita cultura brasileira", explica o ator.
A família Guerra, marcada pela ambição e pela modernidade, é comandada por Búfalo (Xamã), que assume o legado do debilitado Jorge Guerra (Roberto Pirillo). Ao seu lado está a mulher dele, Suzana (Giullia Buscacio), estratégica e calculista, e a irmã dela, Mirna (Mel Maia), jovem ousada que desafia o poder dentro da própria família.
Sobre a força feminina nesse universo dominado por homens e a relação intensa entre as irmãs na trama, Mel Maia reflete. "Bem desafiador, né? A gente teve que trabalhar muito nesses opostos, de se odiar muito, mas ao mesmo tempo se amar, porque temos o mesmo sangue. Mostramos o nosso poder, a nossa força naquele meio cheio de homens. Enquanto eles estão ali se matando para chegar ao topo, cada uma de nós vai pelo seu caminho, com o seu próprio jogo", afirma.
Giullia Buscacio também destaca a complexidade da personagem Suzana. "Eu me surpreendi, mas ao mesmo tempo consegui compreendê-la muito rápido. Porque existem muitas diferenças entre a gente. Eu não tenho nada a ver com a Suzana e, ao mesmo tempo, ela me ensinou muito, do ponto de vista dela, do porquê de certas atitudes. Às vezes eu não entendia, mas logo depois ela me mostrava que tudo era muito bem pensado", opina a atriz, que completa:
"A gente está validando muito esse universo quase como um império mesmo. Existe muito poder, existe a família, esse poder que passa de pai para filho. Há regras, o que se pode ou não fazer, um código de ética que não é muito falado nem conhecido. Isso me impressionou, porque tudo é muito bem organizado dentro da realidade deles, com um senso de respeito e glamour muito forte".
Xamã, que vive o ex-lutador e impulsivo Búfalo, destacou o desafio de manter a seriedade em cena ao contracenar com André Lamoglia, com quem compartilha sequências intensas. "Na hora que eu olhava pra cara dele, dava uma vontade de rir, mano. Fazer cara de mau era um desafio (risos). Foram muitas cenas de força, de impacto, e não tem como fazer isso se não houver respeito e amizade do outro lado. Então a gente desenvolveu primeiro essa amizade, conexão, e se curtiu como pessoa."
André confirma a parceria: "Tem uma cena que acontece mais lá pra frente, nos episódios finais, que é muito tensa. Nossa rivalidade já está no auge do auge, e ali a gente teve que se concentrar bastante."
E Xamã encerra com bom humor: "Riso é o pior, mano. Quem já passou por isso em cena sabe o quanto é horrível, tudo acontecendo, o clima tenso, e você simplesmente não consegue controlar o riso. O André é muito palhaço, muito idiota (risos). Teve uma cena que exigia muita raiva, e eu lembro que precisei filmar olhando pra um vaso de planta, porque eu não conseguia encarar ele."













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