Como a prevenção está ao alcance de todos os brasileirosReprodução
A oncologista Dra. Larissa Maria Macedo Lopes, do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), explica que o câncer colorretal, muitas vezes, começa de forma discreta: “A maioria dos casos surge de pólipos benignos que, ao longo dos anos, podem virar tumores malignos. Mas a boa notícia é que, quando detectados cedo, eles podem ser removidos e a doença totalmente evitada”.
Os números que preocupam
De acordo com o INCA, só no triênio 2023-2025, o Brasil deve registrar 45.630 novos casos por ano. Isso significa quase 22 mil em homens e mais de 23 mil em mulheres. A maior incidência está nas regiões Sul e Sudeste, e o dado que mais chama atenção é o aumento da doença entre adultos jovens.
A Dra. Larissa alerta: “Em 30 anos, tivemos um crescimento de 14,3% na mortalidade. Isso reflete mudanças no estilo de vida da população brasileira”.
Quando a visibilidade salva vidas
Um exemplo recente foi a coragem da cantora Preta Gil, que abriu seu coração e compartilhou publicamente sua luta contra o câncer de intestino. A forma como ela trouxe o tema para o dia a dia fez muita gente repensar a saúde e correr atrás dos exames.
Fatores de risco que podemos mudar
A boa notícia é que 40 a 50% dos casos têm relação direta com o estilo de vida. Isso significa que pequenas mudanças podem fazer uma enorme diferença. Entre os principais fatores de risco estão:
Dieta pobre em fibras;
Consumo frequente de ultraprocessados;
Sedentarismo;
Tabagismo;
Álcool em excesso.
A idade também conta: acima dos 50 anos o risco aumenta, mas infelizmente já há registros em pessoas mais jovens.
E aqui fica o recado da Dra. Larissa: “O que mais preocupa é que esses fatores são modificáveis. Mais fibras na alimentação, exercícios regulares e parar de fumar podem reduzir significativamente as chances da doença”.
Sintomas que merecem atenção
O problema é que os sinais muitas vezes se confundem com outras condições. Mas alguns sintomas não podem passar batido:
Sangue nas fezes;
Alterações no intestino (diarreia ou prisão de ventre persistente);
Dor abdominal constante;
Sensação de evacuação incompleta;
Fezes muito finas;
Perda de peso sem explicação;
Fadiga excessiva.
Atenção: sangue nas fezes nunca deve ser ignorado, mesmo que você pense que é “só hemorroida”.
Colonoscopia: um exame que salva vidas
A colonoscopia é o exame padrão para identificar o câncer de intestino ainda no início. Ela permite enxergar o interior do intestino grosso e até retirar pólipos antes que virem tumores.
A recomendação é começar o rastreamento aos 45 anos, mas quem tem histórico familiar precisa fazer antes. Além da colonoscopia, existem outros exames como o teste de sangue oculto nas fezes e a retossigmoidoscopia, todos disponíveis gratuitamente pelo SUS.
Tratamento e chances de cura
Quando descoberto cedo, o câncer de intestino pode ter até 90% de chances de cura. O tratamento varia de acordo com o estágio e pode incluir cirurgia, quimio e/ou radioterapia.
E é aí que campanhas como o Setembro Verde fazem toda a diferença: quanto mais falamos sobre isso, mais pessoas se cuidam. O verde, cor da campanha, simboliza esperança e renovação — exatamente o que precisamos quando falamos de saúde.
Prevenção ao alcance de todas nós
Para proteger seu intestino, o caminho é simples e possível:
Apostar em fibras, frutas, legumes e verduras;
Praticar atividade física regularmente;
Reduzir o consumo de carnes vermelhas e processados;
Evitar cigarro e beber com moderação.
Pequenas escolhas no dia a dia fazem uma diferença gigante. A prevenção está ao nosso alcance — e pode salvar milhares de vidas todos os anos.

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