Espetáculo 'A Jornada de um Herói' chega a Duque de CaxiasJOSELIA FRASAO/Divulgação

Duque de Caxias - “A Jornada de um Herói” nasceu na Baixada Fluminense, percorreu diversos cantos do Rio de Janeiro, passou por outros estados e até cruzou fronteiras para se apresentar na China. Agora, o espetáculo retorna às suas origens para se despedir dos palcos. Após passar por Japeri e Belford Roxo, a circulação do espetáculo segue agora para Duque de Caxias, onde se apresenta nesta quinta-feira (10), às 20h, no Gomeia Galpão Criativo. Os ingressos de todas as apresentações são gratuitos e adquiridos na bilheteria de cada local.

Com reconhecimento em importantes premiações, como o Prêmio Shell e o APTR, e mais de 2 mil espectadores ao longo de cinco anos de trajetória, o espetáculo levou aos palcos temas urgentes como racismo estrutural, precarização do trabalho e desigualdades sociais, consolidando-se como um marco de representatividade e resistência.

"Foram muitas trocas, aprendizados, prêmios, tropeços e alegrias em fazer um espetáculo que levanta questões tão importantes. E o mais gratificante foi conseguir abordar temas tão sérios usando o humor como ferramenta, prezando sempre pela comunicação e o afeto com o público", destaca Mateus Amorim, ator e autor do espetáculo.
Encerrar a jornada no território onde ela começou carrega um simbolismo especial.

"A própria ideia de ‘jornada do herói’ se forma por um círculo: o herói retorna ao seu lugar de origem transformado. A gente encerra esse espetáculo diferente de quando começamos. A ‘Jornada’ nos transformou artística e humanamente. Apresentar na Baixada é um ‘muito obrigado’. Criamos esse espetáculo a partir das histórias de trabalhadores da região, com base nas nossas vivências como baixadenses. Nada mais justo do que devolver a esse lugar toda a poesia que ele tem nos dado”, reflete o ator.

Rompendo a famosa estratégia narrativa chamada "jornada do herói”, que costuma estar centrada em histórias que glorificam homens brancos e ricos, “A Jornada de um Herói” traz para o centro do palco o protagonismo de um homem negro, pobre, periférico e analfabeto, chamado José, magistralmente interpretado por Mateus Amorim, que também escreveu a peça. O personagem enfrenta diversas batalhas cotidianas, refletindo a realidade de muitos brasileiros que se vêem à margem da sociedade, levantando a seguinte questão: “Quem são os verdadeiros heróis?”. Através do solo narrativo, o espetáculo convida o público a refletir sobre questões urgentes da sociedade contemporânea, como o racismo estrutural, relações de trabalho abusivas e desigualdades sociais.

Idealizada pela Companhia Atores da Fábrica e por Mateus Amorim, a peça também ajudou a transformar a percepção da cena artística da região, como afirma Alexandre O. Gomes, diretor e iluminador do espetáculo:

“Acreditou-se por muito tempo que da Baixada Fluminense não saíam trabalhos artísticos de qualidade, diante das inúmeras dificuldades enfrentadas na região. No entanto, essa percepção vem mudando, especialmente na última década, graças ao trabalho consistente de grupos como o nosso e de muitos outros coletivos que desenvolvem pesquisas e produções com qualidade artística, com rigor estético e técnico.”

Assim como José, a Companhia Atores da Fábrica segue enfrentando os desafios da caminhada artística com coragem, criatividade e afeto. A despedida de ‘A Jornada de um Herói’ é o fim de um ciclo, mas a luta para manter viva a arte periférica — potente, necessária e transformadora — continua mais viva do que nunca.
SERVIÇO

Duque de Caxias (Gomeia Galpão Criativo)
Data: 10 de julho (quinta-feira)
Horário: 20h
Endereço: R. Dr. Lauro Neiva, 32 - Jardim Vinte e Cinco de Agosto, Duque de Caxias - RJ