De janeiro a novembro de 2024, foram produzidas 8,2 milhões de toneladas de aço no estado do RioUsiminas/Divulgação
A situação também gerou preocupação para a economia brasileira como um todo, já que o país da América do Norte é o maior comprador do aço brasileiro, tendo adquirido, em 2022, 49% do total do aço exportado pelo país.
Já o Brasil é o segundo maior fornecedor da matéria-prima para os norte-americanos. Em 2024, apenas o Canadá superou o Brasil na venda de aço aos Estados Unidos.
No caso do alumínio, a dependência dos EUA é menor. O país foi o destino de 15% das exportações de alumínio do Brasil em 2023. Os dados são do Instituto Aço Brasil.
O governo brasileiro já reagiu ao anúncio feito por Trump. O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse acreditar no diálogo com os norte-americanos.
"Nós acreditamos muito no diálogo. Isso já aconteceu antes, mas houve cotas, foram estabelecidas cotas. A parceria Brasil-Estados Unidos é equilibrada, é um ganha-ganha, nós exportamos para eles, eles exportam para nós, ganha a população", disse Alckmin a jornalistas.
Na terça-feira, 11, dia seguinte ao anúncio feito por Trump, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou que "o Brasil não estimula e não entrará em nenhuma guerra comercial", disse após um evento em Brasília.
Apesar de não buscar uma "guerra comercial", o presidente Lula deu uma declaração no fim de janeiro indicando que agiria com reciprocidade a possíveis taxações de produtos comercializados com os Estados Unidos.
"É muito simples: se ele taxar os produtos brasileiros, haverá reciprocidade do Brasil em taxar os produtos que são exportados dos Estados Unidos. Simples, não tem nenhuma dificuldade", disse o presidente em um encontro com jornalistas em Brasília.
Economista explica ações de Trump e avalia impacto para os brasileiros
O DIA conversou com Marta Castilho, professora do Instituto de Economia da UFRJ e coordenadora do Grupo de Indústria e Competitividade, para entender o porquê das ações de Donald Trump e como elas impactam o Brasil.
"Existem razões tanto econômicas, como para a política interna e externa. A primeira diz respeito às dificuldades que o próprio setor siderúrgico norte-americano tem enfrentado internacionalmente num contexto de baixo crescimento da demanda e alta concorrência Internacional. A segunda razão é de cunho político (doméstico) e faz parte da estratégia do Trump de proteger os trabalhadores estadunidenses afetados por uma concorrência externa 'desleal'", esclarece.
"Por fim é também uma estratégia para forçar os países a negociarem com os Estados Unidos diversos temas. Dado o peso da economia norte-americana no cenário mundial, a imposição dessas medidas força os parceiros a abordarem temas que muitas vezes fogem da esfera", completa.
A especialista também avaliou que "as restrições devem afetar negativamente as exportações de produtos siderúrgicos e de alumínio brasileiros, dada a importância dos Estados Unidos como mercado consumidor dos produtos brasileiros. 44% das exportações brasileiras de produtos siderúrgicos são destinadas aos Estados Unidos e essas exportações (de produtos siderúrgicos) correspondem a 15% das exportações totais brasileiras para aquele país", explica.
Segundo ela, a população brasileira pode ser afetada, já que "pode haver uma redução da produção doméstica em função da redução das exportações, com algum efeito sobre emprego e renda".
Sociólogo vê Trump tentando salvar potência de declínio
O sociólogo e cientista político Rafael Mello analisa as ações econômicas de Trump e opina que o presidente norte-americano está agindo por conta do "declínio" da potência.
Como isso impacta a indústria do Rio de Janeiro
Em 2024, o Rio de Janeiro foi o segundo estado que mais exportou aço, de acordo com o Instituto Aço Brasil, com 26,2% da concentração, ficando atrás apenas de Minas Gerais, que vendeu para o mercado norte-americano 30,1% do total.
O DIA também conversou com Germano Mendes de Paula, professor titular do Instituto de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Uberlândia e um dos maiores especialistas em aço do País, para entender por que o estado é um destaque na produção nacional.
Ele ressaltou que "o Rio de Janeiro possui uma das três maiores produtoras de placas do país (Ternium Brasil)". Para o economista, existem algumas razões que fazem do Estado um destaque no setor. São elas: usinas com boa escala de produção, portos de boa qualidade, proximidade frente ao maior mercado consumidor (Sudeste), proximidade frente ao minério de ferro (Minas Gerais).
Já a Associação de Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, a Rio Indústria, comenta sobre a recente eleição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para os empresários que integram a entidade, a atuação do presidente norte-americano traz consigo um cenário de incerteza, com possíveis repercussões para o Brasil e, particularmente, para o setor industrial.
A entidade endossa que a política econômica que Trump tem adotado, com foco no protecionismo e no nacionalismo econômico, pode gerar reflexos diretos nas relações comerciais globais. A imposição de tarifas mais altas sobre produtos estrangeiros e a busca por uma redução do déficit comercial dos Estados Unidos podem impactar a exportação brasileira, sobretudo em setores como o de commodities e manufaturas.




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