Próximo encontro do Copom acontece dos dias 17 e 18 de junhoMarcello Casal Jr/Agência Brasil
"Para a próxima reunião, o cenário de elevada incerteza, aliado ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos acumulados ainda por serem observados, demanda cautela adicional na atuação da política monetária e flexibilidade para incorporar os dados que impactem a dinâmica de inflação", diz a ata publicada nesta terça-feira (13), repetindo um trecho do comunicado da semana passada.
Na sua última reunião, o colegiado abandonou o forward guidance - que vinha sendo renovado desde dezembro, quando o Copom aumentou a Selic em 1 ponto percentual e sinalizou mais duas elevações da mesma magnitude, em janeiro e março - e deixou os seus próximos passos em aberto.
Na segunda-feira (12), as medianas do Sistema Expectativas de Mercado, que embasam o relatório Focus, já passaram a indicar que a taxa Selic deve permanecer estável, em 14,75%, até o fim deste ano. Até a semana anterior, as projeções do mercado apontavam para um aumento residual de 0,25 ponto percentual em junho, para 15,0%, seguido de um corte de mesma magnitude em dezembro.
O Copom também reforçou que "se manterá vigilante" e que a calibragem do aperto monetário continuará sendo guiada pelo objetivo de fazer a inflação cair à meta no horizonte relevante.
O Comitê repetiu ainda as projeções de inflação que já haviam sido divulgadas no comunicado: de 4,8% para o fim de 2025 e de 3,6% para o fim de 2026, este último sendo o horizonte relevante da política monetária. A estimativa para o ano que vem está acima do centro da meta, de 3%, e leva em conta altas de 3,4% para os preços livres e de 4,0% para os administrados.
A projeção para 2025 está acima do teto da meta, de 4,50%, e considera altas de 5,3% e 3,5% para livres e administrados, nesta ordem.
Todas as projeções do BC partem do cenário de referência, com trajetória de juros extraída do relatório Focus e bandeira verde de energia elétrica em dezembro de 2025 e 2026. A taxa de câmbio começa em R$ 5,70 e evolui conforme a paridade do poder de compra (PPC). Os preços do petróleo seguem aproximadamente a curva futura por seis meses e, depois, sobem 2% ao ano.
"O cenário de inflação de curto prazo segue adverso", destacou o comitê, no documento que foi publicado nesta terça-feira.
Enquanto isso, a depreciação do câmbio pressionou preços e margens, o que já tem se refletido em aumento nos preços no atacado e, agora, no varejo. Já os preços de alimentos permanecem elevados e devem se propagar para outros itens no médio prazo, diante dos mecanismos inerciais da economia, destacou o Copom.
"A desancoragem das expectativas de inflação é um fator de desconforto comum a todos os membros do Comitê e deve ser combatida", enfatizou o documento.
Na discussão sobre o tema das expectativas de inflação, a principal conclusão obtida e compartilhada por todos os membros do Comitê, conforme o parágrafo 13 da ata, foi o de que, em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma "restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado".
No parágrafo 18, o texto traz que, para as próximas reuniões, o Comitê seguirá acompanhando o ritmo da atividade econômica, fundamental na determinação da inflação, em particular da inflação de serviços.
"Enfatizou-se que os vetores inflacionários seguem adversos, como resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho, expectativas de inflação desancoradas e projeções de inflação elevadas", enumerou.
Já no 22, a cúpula do BC reforçou que se manterá vigilante e que a calibragem do aperto monetário apropriado seguirá guiada pelo "objetivo de trazer a inflação à meta no horizonte relevante". O trecho pondera, porém, que o movimento dependerá da evolução da dinâmica da inflação, em especial dos componentes mais sensíveis à atividade econômica e à política monetária, das projeções de inflação, das expectativas de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos.
O colegiado elevou a taxa básica de juros de 14,25% para 14,75% ao ano na quarta-feira da semana passada. Nesta reunião, o Comitê explicou que optou pela elevação de 0,50 ponto percentual, mantendo a forma de análise e resposta que vem conduzindo ao longo do tempo e delineada em sua comunicação.
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