Galípolo diz que BC monitora desaceleração econômica global e impacto na inflação e nos preços no BrasilLula Marques/ Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta sexta-feira, 23, que a autoridade monetária tem as ferramentas necessárias para persecução das suas metas, mesmo que "desagradem".

"O Banco Central tem ferramentas pra alcançar suas metas. Alguém pode reclamar, pode não gostar, mas está dentro do alcance do Banco Central", discursou Galípolo, no Seminário Anual de Política Monetária, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), no Riod e Janeiro.

Quanto à política fiscal, Galípolo acrescentou que muitas das decisões que precisam ser tomadas envolvem negociações com agentes, um processo mais complexo e desafiador. Segundo ele, o Brasil acaba passando por um "quase que por um dilema".

"Você pode ter uma equipe superfocada e dedicada a alcançar e atingir as metas, mas o canal (...) fica bastante obstruído por toda essa necessidade que você tem de produzir um consenso talvez", declarou.

Segundo ele, o debate em torno do esforço fiscal demanda engajamento também da sociedade.

"Vai demandar isso (engajamento da sociedade no debate). E tenho visto meus amigos (ministros) Simone Tebet e Fernando Haddad engajados nesse debate", disse ele. "Alguma coisa tem que ceder nesse processo."
'Incerteza exacerbada no cenário externo'
Galípolo comentou a política monetária americana, lembrando que a vitória do presidente norte-americano Donald Trump trouxe mudanças no cenário do Federal Reserve, que vinha conseguindo entregar uma desinflação. O presidente do BC lembrou que, no começo de 2025, ganhou força a ideia de que as tarifas anunciadas pelo governo Trump poderiam desacelerar a economia global. No caso do Brasil, ele lembra que havia uma sensação no primeiro trimestre, de que o País tivesse uma posição mais privilegiada que seus pares, pelo fato de ter parceiros comerciais mais diversificados e ser menos dependente do mercado norte-americano.

"Colocava o Brasil em posição que fosse menos afetado pela questão das tarifas, como por exemplo, o México", discursou Galípolo, no Seminário Anual de Política Monetária, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), no Riod e Janeiro.

Galípolo disse que o "Liberation Day", dia do grande anúncio oficial de tarifaço pelo governo norte-americano, levou a um risk-off, mas com incerteza sobre o dólar como porto seguro. Como consequência, moedas emergentes acabaram sofrendo menos com risk-off do que antes.

"No Brasil, não vimos desvalorização acentuada da moeda", disse ele.

Quanto aos impactos na economia mundial, o presidente da autoridade monetária disse que o BC quer ver como vai ocorrer a desaceleração da atividade econômica global, e como isso vai se traduzir a preços.