Há acusações contra a companhia por supostas más práticas trabalhistas e ambientaisDivulgação / JBS USA
A aprovação da proposta, que foi tornada pública em 2023, abre caminho para que as ações de uma das maiores empresas de alimentos do mundo comecem a ser negociadas em Wall Street a partir de 12 de junho, segundo o cronograma publicado pela JBS em comunicado.
"Com a dupla listagem, buscamos uma estrutura corporativa que reflita melhor a nossa presença global e as nossas operações internacionais diversificadas", disse o diretor financeiro da JBS, Guilherme Cavalcanti, citado no texto.
A votação ficou a cargo dos acionistas minoritários, depois que os majoritários J&F e BNDESPar desistiram de participar.
A ascensão da JBS no mercado da carne mundial vem acompanhada de acusações contra a companhia por supostas más práticas trabalhistas e ambientais.
"Dar à JBS acesso a bilhões de dólares em novos financiamentos apenas servirá para potencializar o desmatamento e suas operações que prejudicam o clima", disse, nesta sexta, a organização Mighty Earth.
Além disso, os escândalos perseguem os acionistas principais, os irmãos bilionários Joesley e Wesley Batista.
Em 2020, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) ordenou aos irmãos Batista o pagamento de 27 milhões de dólares (R$ 153 milhões, na cotação atual) por acusações de suborno.
"A JBS tem uma história bem documentada de corrupção, suborno, fixação de preços, trabalho infantil, destruição ambiental e outras transgressões sérias", publicou na segunda-feira na rede social X o senador democrata Cory Booker.
Booker e outros legisladores americanos, incluindo o atual secretário de Estado Marco Rubio, recomendaram à SEC em julho que não autorizasse a listagem da JBS em Wall Street.
Fundada há 72 anos no interior do Brasil, a JBS gerencia 250 frigoríficos em 17 países, com mais de 300 mil clientes ao redor do mundo e emprega 280 mil funcionários.
Junto com outras gigantes da indústria da proteína animal como Marfrig e Minerva, foi acusada de supostamente contribuir para o desmatamento em algumas regiões do Brasil, como a Amazônia.
Mas a JBS afirma que tem tolerância zero com "desmatamento ilegal, trabalho forçado, uso indevido de terras indígenas, unidades de conservação ou violação de embargos ambientais".

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