Copom do Banco Central (BC) decide se pausa o ciclo de alta na Taxa Selic, juros básicos da economiaRafa Neddermeyer / Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) justificou nesta terça-feira, 24, o porquê de ter decidido por mais uma alta da Selic na reunião da semana passada, de 14,25% para 15% ao ano, quando o mercado estava dividido sobre esta possibilidade e a manutenção dos juros básicos da economia.
"A economia ainda apresenta resiliência, o que dificulta a convergência da inflação à meta e requer maior aperto monetário", escreveu o colegiado em ata do encontro divulgada há pouco.

A cúpula do Banco Central ponderou, porém, que o ciclo até então empreendido foi "particularmente rápido e bastante firme", o que teria reforçado o entendimento de que, dadas as defasagens inerentes aos efeitos da política monetária, grande parte dos impactos da taxa mais contracionista ainda está por vir. "Em função disso, o Comitê comunicou que antecipa uma interrupção no ciclo de elevação de juros para avaliar os impactos acumulados ainda a serem observados da política monetária", salientou.

O documento enfatizou mais uma vez que a construção da confiança necessária para definir o patamar apropriado de restrição monetária ao longo do tempo passa por assegurar que os canais de política monetária estejam desobstruídos, acrescentando que não devem haver elementos mitigadores para sua ação.

O texto também repetiu que após esse ciclo rápido e firme de elevação de juros, o Copom avalia interromper o movimento de alta para observar os efeitos sobre a economia até aqui. A ideia é avaliar se a taxa de juros corrente é apropriada para assegurar a convergência da inflação à meta.

O colegiado voltou a dizer que, determinada a taxa apropriada de juros, ela deve permanecer em patamar "significativamente contracionista por período bastante prolongado" devido às expectativas desancoradas. "O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado."
Desancoragem exige juro restritivo por mais tempo
O Copom informou que todos os seus integrantes avaliam que a desancoragem das expectativas do mercado para a inflação exige um patamar de juro mais restritivo por mais tempo. A informação consta do parágrafo 12 da ata da reunião da semana passada.
"A desancoragem das expectativas de inflação é um fator de desconforto comum a todos os membros do Comitê e deve ser combatida", trouxe o texto.

O colegiado salientou que as expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes, mantiveram-se acima da meta de inflação em todos os horizontes, tornando o cenário de inflação mais adverso.
"Nos horizontes mais curtos, a partir da divulgação dos dados mais recentes, observa-se uma queda nas expectativas de inflação. Para os horizontes mais longos, por outro lado, não houve alteração relevante entre as reuniões do Copom", comparou.

A ata explicou que foi ressaltado durante a reunião que ambientes com expectativas desancoradas aumentam o custo de desinflação em termos de atividade e que o cenário de convergência da inflação à meta torna-se mais desafiador com expectativas desancoradas para prazos mais longos.
"Na discussão sobre esse tema, a principal conclusão obtida e compartilhada por todos os membros do Comitê foi de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado", justificou.
Copom repete que antecipa fim do ciclo de altas, mas segue vigilante e pronto a reagir
O Comitê de Política Monetária (Copom) repetiu, na ata da sua última reunião, que "antecipa uma interrupção no ciclo de alta de juros", com o objetivo de avaliar se o nível corrente da Selic - mantido por período "bastante prolongado" - é suficiente para fazer a inflação convergir à meta. 

"Em se confirmando o cenário esperado, o comitê antecipa uma interrupção no ciclo de alta de juros para examinar os impactos acumulados do ajuste já realizado, ainda por serem observados, e então avaliar se o nível corrente da taxa de juros, considerando a sua manutenção por período bastante prolongado, é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta", diz a ata publicada nesta terça-feira, repetindo um trecho do comunicado.

Na segunda-feira, 23, as medianas do Sistema Expectativas de Mercado, que embasam o relatório Focus, já passaram a indicar que a taxa Selic deve permanecer estável, em 15%, até o fim deste ano. Até a semana anterior, as projeções do mercado apontavam para estabilidade do juros em 14,75%. A maioria dos economistas esperava que o Copom não aumentasse a taxa básica na última decisão, embora a precificação do mercado favorecesse uma alta de 0,25 ponto.

O Copom também reforçou que "se manterá vigilante", e que "não hesitará em prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado " Segundo o colegiado, o cenário econômico - marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho - demanda uma política monetária "significativamente contracionista", por período "bastante prolongado", para assegurar a convergência da inflação à meta.

O comitê repetiu ainda as projeções de inflação que já haviam sido divulgadas no comunicado: de 4,9% para o fim de 2025 e de 3,6% para o fim de 2026, este último sendo o horizonte relevante da política monetária. A estimativa para o ano que vem está acima do centro da meta, de 3%, e leva em conta altas de 3,4% para os preços livres e de 4,1% para os administrados.

A projeção para 2025 está acima do teto da meta, de 4,50%, e considera altas de 5,2% e 3,8% para livres e administrados, nesta ordem.

Todas as projeções do BC partem do cenário de referência, com trajetória de juros extraída do relatório Focus e bandeira verde de energia elétrica em dezembro de 2025 e 2026. A taxa de câmbio começa em R$ 5,60 e evolui conforme a paridade do poder de compra (PPC). Os preços do petróleo seguem aproximadamente a curva futura por seis meses e, depois, sobem 2% ao ano.