Presidente participou da cerimônia do Plano Safra 2025/2026 voltado à agricultura familiarReprodução / Canal Gov

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva relativizou, nesta segunda-feira, 30, a taxa básica de juros (Selic) atual e disse que o governo precisa falar mais sobre o cálculo dos juros reais, descontando a inflação.

A posição do presidente é diferente do que ele costumava dizer quando o Banco Central era comandado por Roberto Campos Neto, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para a presidência da autoridade monetária. Com Galípolo à frente do BC, Lula evita criticar a taxa de juros com a contundência dos anos anteriores

O presidente participou da cerimônia do Plano Safra 2025/2026 voltado à agricultura familiar. Durante o evento, mencionava os juros voltados aos pequenos agricultores, quando citou o ministro da Fazenda e falou sobre a Selic.

"Uma coisa, Haddad, que você precisa falar mais e nós precisamos falar mais, é sobre a taxa de juros. Todo mundo fala da taxa de juros, fica olhando o aumento da Selic para dizer que o mundo está uma desgraça por causa da Selic. Vi a apresentação do Paulo Teixeira e vi juros de 3%, 2,5%. A taxa mais alta que vi é de 5% É importante registrar que uma taxa de juros de 5% com inflação de 5% é taxa de juros zero", disse o presidente da República.

"Se for olhar a agricultura empresarial, as pessoas também se queixam que a taxa de juros está muito cara. Pois bem, se pegar juros a 14% ao ano e descontar 5% de inflação, esse juros vai ser de 9%. Está longe de ser o porcentual da taxa Selic. É importante que a gente aprenda a falar essas coisas para as pessoas se darem conta de que nossos bancos estão fazendo aquilo que historicamente não se fazia nesse País", declarou Lula.

O presidente ainda elogiou Gabriel Galípolo, que, segundo ele, "é um presidente muito sério". Lula disse que gostaria que a taxa de juros fosse zero, mas que isso "não depende da nossa política econômica".

"Nosso objetivo é fazer com que se produza máquinas nesse País que atendam a necessidade do pequeno produtor. O grande já tem, e que bom que ele tenha e que o governo financie, e a taxa de juros mais baratas. Eu gostaria que a taxa de juros fosse zero, mas ainda não depende da nossa política econômica, que não tem muito a ver com a taxa de juros. O Banco Central é independente, o Galípolo é um presidente muito sério e tenho certeza de que as coisas vão ser corrigidas com o passar do tempo. Nós sabemos o que herdamos e não queremos ficar chorando, queremos mostrar o que vai vir pela frente", afirmou.
Plano Safra
Lula afirmou que o Plano Safra 2025/2026 voltado à agricultura familiar "está longe de ser o plano perfeito", mas faz parte de um processo contínuo de reivindicação dos pequenos agricultores junto ao poder público para garantir melhores condições de crédito.

"Esse plano é muito bom, mas está longe de ser o plano perfeito que buscamos. Tenho certeza de que no ano que vem vocês (Fernando Haddad e Paulo Teixeira) vão vir com muito mais novidade", disse o presidente ao encerrar seu discurso na cerimônia de lançamento do Plano Safra 2025/2026 voltado à agricultura familiar.

O presidente valorizou o processo de reivindicação dos agricultores junto ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e ao Ministério da Fazenda. Disse que "tudo que é reivindicado acontece mais cedo ou mais tarde".

"Tudo que é reivindicado acontece, mais cedo ou mais tarde, porque somos o resultado do aumento do grau de consciência política da sociedade brasileira. A cada conquista, a sociedade vai aprendendo que novas conquistas são possíveis, vai aprendendo a reivindicar mais. Não temos que reclamar disso, temos de saber que elas são novas descobertas das pessoas", declarou.

Lula disse que o Plano Safra voltado à agricultura familiar "é o resultado daquilo que vocês adquiriram de consciência nesse período todo" e disse que os agricultores "aprenderam como é lidar com governo democrático e com governo que não é democrático", em uma menção implícita à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, que o petista sempre chama de antidemocrático.

O presidente defendeu que os agricultores precisam de "máquinas do tamanho deles para aumentar a produtividade". Segundo ele, o atual Plano Safra chegará a "100% do território nacional" e será levado "àqueles que mais precisam".

Lula discursou para uma plateia de integrantes de movimentos sociais, apoiadores do PT e representantes de pequenos agricultores. Disse a eles que eles são "a mola propulsora do crescimento" e que tem "tentado convencer os empresários de que é muito importante que eles torçam para que os mais pobres cresçam".

"Quando eles crescerem, vão ser mais consumidores, mais comida, mais roupa, vão viajar. Quando os pobres melhoram, o País melhora", argumentou o presidente.
País "começa a ser justo pela tributação"
O presidente Lula disse que um País "começa a ser justo pela tributação". A declaração acontece dias depois de o governo ser derrotado no Congresso Nacional e ver o aumento das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) ser derrubado pelos deputados e senadores.

Criticado por promover o aumento de um imposto, o governo tem insistido no discurso de que o aumento do IOF serviria para fazer "justiça tributária".

"Nós queremos fazer com que esse país se transforme em um país justo. E ele começa a ser justo pela tributação. E depois, continua a ser justo pela repartição. É por isso que estamos dando isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil", afirmou, citando também a Tarifa Social de Energia criada pela medida provisória da reforma do setor elétrico e a proposta de novo Vale Gás em estudo na Casa Civil.

Mesmo sem mencionar nenhuma crítica específica, Lula rebateu falas de que pessoas gostam de viver com o pagamento do Bolsa Família.

"Ninguém quer que as pessoas vivam a vida inteira de Bolsa Família. O que queremos é que a pessoa viva tranquilamente às custas da sua capacidade profissional, de sua capacidade produtiva. O papel do Estado é fazer com que essas pessoas tenham a oportunidade de chegar lá", afirmou.

Lula disse, ainda, que, graças à atual gestão, o Brasil vai chegar, pela primeira vez, a 10 milhões de turistas estrangeiros visitando o País. Como mostrou o Broadcast Político, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, a Embratur calcula que as emissões de passagens para o Brasil nos próximos três meses deve crescer 25% em relação ao ano passado. Somente no primeiro quadrimestre deste ano, o País registrou 4,1 milhões de turistas estrangeiros.