Segundos os dados, já foram feitos cerca de 316.357 empréstimos no estado do RioReprodução/internet

Rio - Em vigor desde 21 de março, o novo crédito consignado para trabalhadores do setor privado com registro em carteira (CLT), batizado de 'Crédito do Trabalhador', já realizou mais de R$ 18,4 bilhões em empréstimos no Brasil. O estado do Rio de Janeiro ocupa a segunda posição contabilizando mais de R$ 1,5 bilhão em recursos emprestados para mais de 262,8 mil, segundo os dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ao DIA.
O empréstimo consignado para trabalhadores CLT é uma modalidade de crédito com desconto direto na folha de pagamento, oferecendo taxas de juros mais baixas e facilidade na contratação. Para solicitar, o trabalhador pode usar a CTPS Digital ou os canais digitais da instituição financeira.
De acordo com o MTE, o crédito está disponível para 47 milhões de trabalhadores, incluindo domésticos, rurais e contratados por Microempresas Individuais (MEIs), que, até então, não eram atendidos pelo crédito consignado privado.
Até o momento, foram realizados 3.445.044 empréstimos, beneficiando 2.863.575 trabalhadores em todo o país. O número de contratos é maior pelo fato de cada trabalhador poder fazer mais de um contrato. Os dados indicam ainda que a média por contrato é de R$ R$ 5.347,33, a média de valor das parcelas está variando em R$ 291,70 e a média do prazo para pagamento é de 18 meses.
Já no estado do Rio, segundos os dados, já foram feitos cerca de 316.357 empréstimos, atingindo 262.848 trabalhadores. O valor do contrato gira em média em R$ 4.973,13, a média de parcelas chega a R$ 279,83 e o prazo de pagamento também é de 18 meses, totalizando R$ 1.573.283.641,52 em crédito.
Veja o ranking
UF Empréstimos Trabalhadores Média de valor Média de valor por parcela Número de parcelas Total negociados
Total 3.445.044 2.863.575 R$ 5.347,33 R$ 291,70 18  R$ 18.421.803.899,15
São Paulo 900.095 743.268 R$ 6.068,90 R$ 321,94 19
R$ 5.462.588.686,04
Rio de Janeiro 316.357 262.848 R$ 4.973,13 R$ 279,83 18 R$ 1.573.283.641,52
Minas Gerais
293.383 242.439 R$ 5.267,65 R$ 285,55 18 R$ 1.545.439.072,89
Paraná 219.714 182.251 R$ 5.615,13 R$ 294,71 19 R$ 1.233.722.194,56
Rio Grande do Sul 217.609 182.342 R$ 5.437,65 R$ 289,50 19 R$ 1.183.280.972,56
Portabilidade e juros
No início de julho, os os trabalhadores com empréstimos consignados antigos passaram a ser autorizados a fazerem a portabilidade para o programa. A troca só é autorizada nos casos em que o consignado para CLT tenha juros mais baixos que as linhas de crédito contratadas pelo trabalhador.
De acordo com o MTE, a taxa média de juros do Crédito do Trabalhador segue em trajetória de queda e já atingiu o patamar de 3,55% ao mês.
Segundos os dados mais recentes do Banco Central, as modalidades de crédito sem garantia para pessoas físicas apresentam taxas muito superiores: cheque especial a 7,4%, rotativo do cartão de crédito a 15,1% e crédito pessoal sem consignação a 6,2%. Todas estão acima das taxas do Consignado CLT.
"Apesar da redução, o Ministério do Trabalho e Emprego trabalha para que esse índice diminua ainda mais e para coibir a cobrança de juros considerados abusivos por parte das instituições financeiras", disse o órgão em nota.
Brasileiros recorrem ao consignado para pagar contas
O empréstimo consignado continua sendo um importante aliado para os brasileiros que precisam pagar suas contas, mas não possuem recursos disponíveis. De acordo com um levantamento feito pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise, 25% dos entrevistados admitiram que usaram o dinheiro para pagar outras dívidas, como empréstimos, cartão de crédito ou prestações de compras. 
Já 18% disseram terem recorrido ao consignado para pagar contas de consumo do dia a dia, como água, luz, telefone etc. Além disso, 15% dos entrevistados revelaram que a funcionalidade seria utilizada para custear exames, remédios ou consultas médicas.
A pesquisa também mostrou que 45% dos empréstimos foram feitos em bancos digitais e 43% nos bancos tradicionais. 
Para Rubens Neto, representante da Crédito Popular, entre os principais fatores para alta adesão ao consignado estão o baixo custo financeiro e a segurança oferecida tanto para os consumidores quanto para a instituição financeira que o concede.

"Com a instabilidade econômica, muitos brasileiros têm recorrido ao crédito consignado como uma solução viável para lidar com dívidas ou financiar projetos pessoais. A ampliação da oferta de produtos financeiros e a digitalização dos serviços também têm facilitado o acesso a essa modalidade, tornando-a cada vez mais comum entre os consumidores", afirma.

O estudo feito apontou um fator importante: 76% dos entrevistados verificaram a real possibilidade de pagamento das prestações ao longo do período antes de fazer o empréstimo.
O levantamento ainda revelou que 76% dos entrevistados afirmam não possuir parcelas de empréstimo em atraso. Em contrapartida, 16% admitem inadimplência no pagamento sendo a média de cerca de 4 parcelas em atraso.
Segundo Rubens, a análise sobre organização financeira é fundamental para que os solicitantes evitem o endividamento a longo prazo.
"É importante também ressaltar que é essencial avaliar a real necessidade do empréstimo e verificar se o valor das parcelas cabe no orçamento antes de fechar negócio. O crédito consignado é uma ferramenta acessível para quem precisa reorganizar as finanças ou realizar um projeto pessoal. No entanto, a educação financeira é fundamental para evitar o endividamento. Por isso, indico que busquem informações detalhadas e esclareçam todas as dúvidas antes de assinar qualquer contrato", disse.
Rubens Neto, representante da Crédito Popular - Reprodução/arquivo pessoal
Rubens Neto, representante da Crédito PopularReprodução/arquivo pessoal


Em relação à busca por crédito, a pesquisa ainda mostrou que 27% tentaram contratar algum tipo de empréstimo nos últimos três meses, 16% conseguiram, principalmente os mais velhos, e 11% não obtiveram aprovação. Entre os principais motivos para a desaprovação estão o nome sujo (48%) e o valor do empréstimo solicitado ser maior do que a renda permite (13%).
Como adquirir o consignado para CLT

Para acessar o crédito, é necessário que os trabalhadores tenham a Carteira de Trabalho Digital. Veja a seguir como solicitar o empréstimo consignado para CLT:

- Acesse a Carteira de Trabalho Digital na sua loja de aplicativos para Android ou iOS

- Faça login com sua conta gov.br ou biometria (para quem já tiver cadastrado)

- Na página principal, clique no banner com o nome do programa, "Crédito do Trabalhador"

- Na próxima aba, em outro banner, serão oferecidas mais informações sobre o programa antes de acessar a simulação - clique no botão "Faça uma simulação"

- A plataforma irá mostrar o seu vínculo trabalhista, o valor máximo de empréstimo que você pode pedir, e, logo abaixo, duas caixas que devem ser preenchidas, denominadas "De quanto você precisa?" e "Em quantas parcelas você quer pagar?"

- Após o preenchimento, clique no botão azul, "Simular empréstimo"

- Ele informará qual é a taxa de referência e o valor total a ser pago

- Depois, o sistema informa que as instituições poderão oferecer condições ainda melhores

- Para seguir com a proposta, é necessário concordar em compartilhar os dados

- Depois disso, em até 24h, os bancos irão fornecer outras opções, que podem ser melhores do que as informadas anteriormente