Prefeitura de Saquarema segue com a construção da creche de PalmitalDivulgação/Prefeitura de Saquarema
Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, e foram compilados e divulgados nesta segunda-feira, 28, pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
De janeiro a maio deste ano, foram 149,2 mil vagas criadas pela construção, mantendo o ritmo aquecido dos anos anteriores. Desde 2020, foram 948 mil novas vagas.
"Estamos mantendo um ritmo forte de geração de emprego no setor", frisou a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos. "Do total de vagas geradas no País este ano, 14,2% do total vieram da construção, o que mostra a importância do setor", emendou.
O presidente da CBIC, Renato Correia, apontou que a criação de vagas é resultado da expansão dos lançamentos e das vendas de imóveis residenciais nos últimos anos, bem como dos investimentos expressivos no segmento de infraestrutura - todos esses empreendimentos anunciados estão se transformando em canteiros de obras, explicou. "É importante ressaltar que a boa empregabilidade da construção se deu pelos contratos vigentes", disse Correia.
Ainda que o juro alto force uma desaceleração da economia brasileira, a tendência é que o setor da construção continue registrando geração de vagas em função desses projetos em andamento, estimou o presidente da CBIC. "Há uma manutenção das criações de vagas. Mesmo que a economia desacelere por causa dos juros altos, ainda vai ter demanda de trabalho em função dos projetos em andamento", assinalou Correia. "A percepção é que tem vagas em todos canteiros ou na maioria deles. Acredito que continuaremos muito forte no mercado de trabalho".
O problema, segundo a CBIC, está na falta de trabalhadores qualificados ou no alto custo para contratação. Numa sondagem com empresários, esta é a terceira maior preocupação da classe empresarial - atrás apenas do juro alto e da carga tributária. Nos últimos 12 meses até junho, o custo da mão de obra no país cresceu 9,98%, se consolidando como o principal fator da inflação na construção, medida pelo INCC, que evoluiu 7,21% no mesmo período.
O salário médio de admissão (valor pago no primeiro emprego na área) na construção foi de R$ 2.436,44, nível acima da média nacional, de R$ 2.248,71. Ou seja, o empresário da construção está pagando mais para atrair os trabalhadores na comparação com outros setores.
Se confirmada, a projeção da CBIC vai configurar uma desaceleração no crescimento do PIB setorial em relação a 2024, quando houve alta de 4,3%. Ainda assim, a estimativa é considerada positiva diante das turbulências atuais. "Estamos mantendo a projeção de crescimento de 2,3% para o setor. Esse resultado será muito positivo se obtido", declarou a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, em apresentação à imprensa.
Vasconcelos disse que a economia sofre com o juro alto, inflação acima da meta e dificuldades no campo fiscal, além de novas incertezas provocadas pela ameaça de taxação pelos Estados Unidos. Por outro lado, destacou que o Produto Interno Bruto (PIB) do País segue crescendo acima do previsto. Outra boa notícia, segundo ela, é a resiliência do emprego, com crescimento dos salários, o que tem ajudado o consumo de modo geral.
O nível de atividade da construção civil, em junho, foi o maior do primeiro semestre de 2025. "Poderia estar melhor, mas ainda está em um patamar elevado", afirmou. Segundo a economista, esse patamar está sendo garantido por todos os empreendimentos residenciais que foram lançados e vendidos nos últimos dois anos e que agora estão sendo convertido em obras. O mesmo acontece com projetos de infraestrutura, especialmente com novos projetos de saneamento, que vêm crescendo bastante.
A economista da CBIC notou, entretanto, que o nível de confiança do empresário da construção e sua expectativa de lançar novos projetos imobiliários vem em queda nos últimos meses. "O empresário está enxergando o cenário atual com mais cautela", disse. A principal preocupação do setor está no juro alto e na escassez de crédito. Caso não haja mudança de rota, isso tende a reduzir o nível de atividade no médio prazo, apontou.
O financiamento à produção com recursos da poupança (que tem juros reduzidos) caiu 62,3% entre janeiro e maio de 2025 na comparação com igual período de 2024. Neste ano, foram 24,1 mil unidades financiadas, contra 65 mil ano passado, até maio. "Isso mostra a dificuldade do construtor em conseguir financiamento. O juro para o construtor está mais alto, igual ao de mercado. A taxa de juros elevada é o principal problema enfrentado pelos empresários".
O presidente da CBIC, Renato Correia, observou que os bancos têm priorizado a concessão de crédito para a pessoa física adquirir o imóvel. Isso tem levado os construtores a buscarem outras opções de crédito, como o mercado de capitais, mas com juro mais alto. Na ponta, isso tem como consequência a elevação do custo de produção e no preço final dos imóveis. "O construtora precisa de capital a um custo mais acessível. Esse é um ponto de atenção", disse.
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