Cerca de 40 motoboys estiveram presentes no protestoReprodução

São Paulo - Um grupo de entregadores de aplicativo realizou uma manifestação em frente ao São Paulo Expo, na Zona Sul da capital paulista, onde acontece o evento iFood Move nesta terça-feira (5) e na quarta-feira (6).
Os trabalhadores fazem uma série de reivindicações sobre as condições de trabalho da plataforma. Os pedidos são expostos no Projeto de Lei 2479, que tramita na Câmara dos Deputados. Confira quais são:
Valor mínimo por entrega
Eles pedem R$ 10 como valor mínimo por entrega até 3 km (bicicleta) ou 4 km (moto/carro). Também são exigidos R$ 2,50 por quilômetro adicional e mais R$ 0,60 por minuto de espera (após 11 minutos).
Além disso, os trabalhadores pedem que, caso aconteça um cancelamento, 50% do valor da corrida seja pago. Além disso, eles exigem que pedidos que são agrupados, ou seja, entregas que um mesmo entregador faz em residências diferentes, sejam pagos integralmente.
Fim da pressão e das punições
Os entregadores pedem o fim do que chamam de "metas abusivas, incentivos que colocam vidas em risco e punições por recusa de pedidos ou greve". Um dos manifestantes, Edgar Francisco da Silva, contou um pouco sobre esta reclamação.
"Se você não chega ao local em determinado tempo, a corrida deixa de ser para você. Ou seja, você gastou tempo e dinheiro se deslocando e não recebe nada. O que você tem que fazer para isso não acontecer? Ficar andando igual a um louco. Isso gera acidentes que são tratados como imprudência do entregador e não como acidente de trabalho", contou.
Edgar Francisco da Silva atua como entregador há 24 anos - Reprodução
Edgar Francisco da Silva atua como entregador há 24 anosReprodução
"O aplicativo te pune se você rejeitar corridas que considera distantes ou que não valem a pena para você. Você é bloqueado por determinado tempo e esse tempo de bloqueio vai só aumentando", concluiu.
Além disso, os manifestantes também pedem mais pontos de apoio para os entregadores. Estes seriam pontos do iFood em que eles pudessem beber água, utilizar o banheiro, recarregar o telefone e descansar.
Diretor do iFood argumenta
Ao DIA, Johnny Borges, diretor de impacto social da empresa, respondeu a alguns dos questionamentos dos entregadores. 
O profissional afirmou que "o tempo pra que esse entregador possa realizar essa coleta de pedido é um tempo hábil. Ele é programado até acima de um deslocamento normal, calculado ali para os entregadores".
Ele também informou que a plataforma "continua ampliando a nossa cobertura de pontos de apoio" e que mais devem ser inaugurados nos próximos meses.
Sobre a diferença nos valores, Johnny explicou que neste momento os R$ 10 por entrega seriam "inviáveis" e que isso iria reduzir a demanda de pedidos afetando toda a cadeia econômica do iFood.
Em nota, o iFood informou que "respeita o direito à manifestação pacífica e à livre expressão dos entregadores". A empresa também reafirmou que tem se "dedicado na criação de uma agenda sólida e permanente de diálogo com os trabalhadores e representantes da categoria para o aprimoramento de iniciativas que garantam mais dignidade, ganhos e mais transparência para estes profissionais".