Haddad afirmou que um plano está sendo feito para mitigar os efeitos do tarifaço dos Estados UnidosReprodução

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na manhã desta quarta-feira (6) que se reuniu com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, para discutir sobre um plano para mitigar os efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, em vigor a partir desta quarta.
Haddad disse que será elaborado ainda um relatório pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para detalhar a situação por empresa, a pedido de Lula. O anúncio do plano, no entanto, não depende desse afinamento. As ações tem o objetivo de proteger, principalmente, os pequenos agricultores que não possuem alternativas a exportação aos EUA.
"Ontem, tivemos uma reunião com o presidente para detalhar o plano. Tem um relatório que vai chegar do MDIC nos relatando empresa por empresa, o presidente pediu, mas o ato em si não depende desse documento porque é um ato mais genérico. Só na regulamentação e aplicação da lei que vamos ter que fazer uma análise mais setorial, CNPJ a CNPJ", afirmou.
As propostas da Fazenda precisam ser confirmadas pelo governo federal antes de entrarem em vigor. De acordo com o ministro, a previsão é que elas sejam implementadas por meio de uma Medida Provisória (MP).
Ele reiterou um pedido de união nacional para atender os interesses do Brasil, envolvendo todos os governadores, e cobrou uma ação coordenada para inibir crimes de lesa-pátria contra o país.

"Isso (defesa dos interesses do País) tem que envolver os governadores de oposição. Porque aqui não se trata mais de situação de oposição. Os Estados estão sendo afetados. Então os governadores que têm proximidade com a extrema direita, eles têm que fazer valer as prerrogativas do seu mandato. Não é fingir que não tem nada acontecendo, se esconder embaixo da cama e desaparecer. Não dá para ser assim", defendeu.

O ministro também ressaltou o papel do empresariado na defesa das bandeiras do Brasil. "O empresariado, além de vir para Brasília, tem que conversar com a oposição, passar a mão no telefone e ligar para a turma que quer ver o circo pegar fogo, parar com isso. Estamos prejudicando o país pelo quê? Em nome do quê nós estamos fazendo isso?", questionou Haddad.
Ele disse ainda que terá uma reunião remota com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, na próxima quarta-feira, 13, para tratar da tarifa e que, a depender da qualidade da conversa, pode haver uma conversa presencial.
"Aí será uma reunião com os ânimos já orientados no sentido de um entendimento entre os dois países, que têm um relacionamento de uns 200 anos, e que não faz o menor sentido nós estarmos vivendo nesse momento. A questão da política tem que ser tratada na esfera da política", afirmou.
Haddad voltou a reiterar preocupação com a ação da família do ex-presidente Jair Bolsonaro nos Estados Unidos. "Hoje teve uma entrevista muito forte do Eduardo Bolsonaro ameaçando o Congresso Nacional e dizendo que o empresariado brasileiro do agro não está em contato com ele, pedindo um arrefecimento das tensões entre os dois países, que seria o mais adequado. O pessoal ligado a eles trabalharam junto conosco para distensionar as relações e tratar o que é a política na política e o que é a economia na economia. Essa mistura está atrapalhando, atrapalhando muito", afirmou.
Nesta quarta-feira (6), entraram em vigor as tarifas de importação de 50% impostas pelo governo dos EUA sobre o Brasil. Com isso, parte dos produtos brasileiros vai pagar a taxa mais alta do mundo para entrar no país norte-americano.
* Com informações do Estadão Conteúdo