Em julho, o custo da cesta básica no Rio de Janeiro ficou em R$ 958,90Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Rio de Janeiro segue liderando o ranking nacional com o maior custo da cesta básica entre as capitais pesquisadas. Em julho, porém, o preço recuou 1,08%. No acumulado dos últimos seis meses, a cidade apresentou a maior queda entre as capitais, com uma redução de 5,97%. Isso indica que, apesar do preço elevado, há uma trajetória de alívio sistemático para os consumidores fluminenses, com o preço atual abaixo do patamar observado em fevereiro de 2025, quando a cesta custava R$ 1.019,77. Com essa redução, o preço de julho, R$ 958,90, marca o menor valor registrado desde o início do ano.

Em São Paulo, o preço médio da cesta básica registrou queda pelo terceiro mês consecutivo, com diminuição de 1,70% em julho. No acumulado semestral, a redução atingiu 4,56%, demonstrando uma tendência consistente de queda no custo de aquisição na capital paulista.

Curitiba registrou a maior diminuição no preço da cesta básica em julho, com uma redução de 2,3%. O preço médio da cesta caiu de R$ 767,14 para R$ 746,46, a maior retração mensal entre as capitais analisadas. No acumulado semestral, a variação foi mais modesta, com uma baixa de 2,34%.

Belo Horizonte também registrou uma diminuição no preço, com uma variação negativa de 2,24%, reduzindo o valor da cesta de R$ 690,74 para R$ 686,96. No acumulado dos últimos seis meses, a cidade apresentou uma alta de 3,04%, comparado aos R$ 666,68 registrados em fevereiro de 2025.

Diferente de outras capitais, Salvador observou um aumento de 0,56% no preço médio da cesta básica de junho (R$ 853,90) para julho (R$ 858,67). No acumulado semestral, a variação foi positiva em 4,12%, subindo de R$ 824,67 para R$ 858,67. O crescimento contínuo pode sinalizar uma pressão inflacionária para os consumidores baianos, comprometendo o orçamento das famílias e dificultando o acesso a itens da alimentação básica.

Fortaleza, por sua vez, teve uma leve queda de 1,57% no preço da cesta básica entre junho (R$ 866,07) e julho (R$ 852,45). No entanto, no acumulado dos últimos seis meses, o aumento foi de 2,09%, com o preço médio passando de R$ 834,98 em fevereiro para R$ 852,45 em julho. Essa oscilação sugere uma pressão moderada nos preços, com possível estabilização no curto prazo.

Brasília também apresentou uma redução de 2,45% no preço da cesta básica, que passou de R$ 832,94 em junho para R$ 812,53 em julho. Contudo, a variação semestral aponta para um aumento de 2,97%, subindo de R$ 789,11 em fevereiro para R$ 812,53 em julho. Esse movimento sugere uma correção recente, após um período de elevação dos preços.

Manaus registrou uma diminuição no preço médio da cesta básica em julho, caindo de R$ 761,81 em junho para R$ 749,47, uma variação de 1,62%. No acumulado do semestre, o preço apresentou uma queda de 3,81%, passando de R$ 779,16 em fevereiro para R$ 749,47 em julho. Essa redução consistente mostra uma trajetória de queda no custo da cesta básica na capital amazonense, contribuindo para o alívio no orçamento familiar da população local.
Entre os produtos que mais registraram alta de preços, os legumes em Curitiba se destacaram, com um aumento expressivo de 23,71% no mês e alta acumulada de 32,76% nos últimos seis meses. Logo atrás veio a carne bovina em São Paulo, que subiu 12,63% no mês, acumulando inflação de 8,29%.

O aumento nos preços da carne bovina, pode ser explicado, em grande parte, pelo desempenho recorde das exportações brasileiras de carne bovina. Em julho de 2025, o Brasil registrou um crescimento expressivo nas exportações, impulsionado pela forte demanda de mercados externos, como China e EUA, mesmo após o anúncio do governo norte-americano de elevação das tarifas sobre as importações brasileiras. Esse movimento, embora tenha sido positivo para o setor externo, tende a reduzir a quantidade de carne disponível para o mercado interno, criando uma pressão crescente nos preços domésticos.

Também mereceu atenção a carne suína em Fortaleza, que apresentou variação mensal de 6,57% e alta de 6,86% no semestre.
Em contrapartida, os consumidores de Belo Horizonte puderam aproveitar a queda significativa dos legumes, que recuaram 10,12% em julho e acumulam redução de 0,38% no semestre. Em Manaus, o mesmo grupo alimentar apresentou queda de 5,70% no mês, com retração acumulada de 2,96% desde fevereiro. Já as frutas em Fortaleza caíram 5,69% em julho, embora acumulem alta de 4,63% no semestre. Em Curitiba, as frutas também registraram queda, de 3,67% no mês, com redução acumulada de 7,98% no semestre.
No que diz respeito à cesta de consumo ampliada — que reúne os 18 itens da cesta básica e mais 15 produtos de higiene e limpeza —,Salvador e Belo Horizonte foram as únicas capitais a registrarem variação positiva nos preços em julho. Na capital baiana, a alta foi de 0,82%, com o preço médio passando de R$ 1.929,57 para R$ 1.945,37. Em Belo Horizonte, o aumento foi mais discreto, de 0,29%, tendo o preço subido de R$ 1.774,00 para R$ 1.779,06.

Na variação acumulada dos últimos seis meses, a cesta de consumo ampliada em Salvador apresentou a maior inflação entre as capitais analisadas, com alta de 3,86%. Nas demais cidades, observou-se queda nos preços: Curitiba (-10,48%), Manaus (-8,54%), Rio de Janeiro (-7,88%), São Paulo (-5,84%), Fortaleza (-2,90%) e Belo Horizonte (-0,18%). Em Brasília, no mesmo período, os preços permaneceram praticamente estáveis, com leve alta de 0,12%.
Entre os 33 produtos da cesta ampliada, aqueles que apresentaram as maiores elevações de preços foram o creme dental em Curitiba, com variação de 6,80% no mês e alta acumulada de 8,46% nos últimos seis meses. Em seguida, destacou-se o creme de leite em São Paulo, que subiu 6,34% no mês, acumulando inflação de 3,73%. Também chamou atenção a batata congelada em Belo Horizonte, conhecida pela praticidade no preparo, que teve variação de 5,68% no mês e alta acumulada de 8,80% no semestre.
Por outro lado, entre os itens da cesta ampliada que trouxeram alívio ao orçamento familiar, os ovos de galinha em Manaus se destacaram, com queda de 4,52% em julho e redução acumulada de 4,36% no semestre. Em Curitiba, os enlatados e conservas registraram queda de 3,67% no mês, acumulando recuo de 4,29% desde fevereiro. Por fim, as frutas em São Paulo apresentaram queda de 3,47% em julho, com retração acumulada de 5,75% no semestre.