Hugo Motta disse que Legislativo pode sugerir medidas adicionais contra o tarifaçoEvaristo SA / AFP

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que a Casa dará "total atenção" à medida provisória (MP) apresentada pelo governo para mitigar os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil. "O que está em jogo é a economia, empregos, nossas empresas, nossa soberania, e isso para nós é inegociável", afirmou, em evento realizado pelo grupo Globo na manhã desta quarta-feira, 27, em Brasília.

E destacou: "Devemos nos reunir nos próximos dias para entender, da parte do Senado, como daremos a condução dessa MP. Temos também outras medidas, projetos aprovados no Senado nas últimas semanas."

Ele avaliou que a MP apresentada pelo governo é uma "medida boa" porque traz abertura de crédito subsidiado e recursos fora do teto para socorrer os setores afetados. Mas disse que o Legislativo ainda pode sugerir outras propostas que seriam reunidas na MP.

Motta disse reconhecer o esforço do Executivo em tentar dialogar com o governo americano, mas que não há interesse dos Estados Unidos em negociar.

"Tenho visto da parte do governo uma defesa constante de que está disposto a dialogar com o governo norte-americano. Me parece que é da parte dos EUA que não há interesse de abrir um canal de diálogo, e não há como dialogar sozinho", afirmou o presidente Câmara.
Reforma administrativa
Motta disse que a reforma administrativa é prioridade da casa para o segundo semestre. "No que depender da presidência, vamos dar total prioridade a essa tramitação", afirmou em evento realizado pelo grupo Globo no período da manhã em Brasília. A votação da proposta de emenda constitucional (PEC) da segurança pública também é prioritária, afirmou.

"Após comissão geral e conversas com bancadas e após o périplo nas bancadas, é fazer um ajuste fino daquilo que teve resistência e precisa mudar, porque nessas conversas urgem sugestões, mas termos uma proposta e darmos início ao processo legislativo de debate e votação", disse o presidente da Câmara.

Segundo Motta, o objetivo da Casa não é fazer uma reforma administrativa que "perseguindo o servidor público" e por isso não será levada em consideração a PEC 32, que previa o fim da estabilidade na carreira. Mas ele ponderou que a reforma não vai "agradar a todos".

"É claro que não vamos fazer uma reforma administrativa agradando a todos, para rever eficiência do estado é preciso tomar uma medida que desagrade um ou outro", disse ele.

Para o presidente da Câmara, "há certo sentimento de que chegou a hora do Congresso se posicionar de como podemos entregar à população que mais precisa serviços de qualidade, combater o desperdício e ter mais eficiência na prestação do serviço público".

Agências reguladoras

Motta também avaliou que as indicações políticas às agências reguladoras não são, por si só, negativas. "Não adianta criminalizar indicações políticas. há indicações políticas boas e ruins", afirmou.

Ele disse que a PEC das agências reguladoras, que dá mais poder ao Legislativo sobre esses órgãos, não é uma prioridade da Casa. "Não vejo que essa ação, pelo menos no colégio de líderes da Câmara, esteja na prioridade" afirmou.