Novo aporte reafirma a importância do patrocínio cultural como instrumento de memória e identidade nacionalVictor Jucá/Divulgação
Os recursos devem contemplar produção e distribuição de filmes e séries, manutenção de salas e patrocínio a festivais como Gramado, Tiradentes (MG), Bonito Cine Sur (MS) e Mostra de Gostoso (RN).
Para o gerente de patrocínios culturais da Petrobras, Milton Bittencourt, a meta é clara: “Nosso compromisso é fortalecer o cinema brasileiro, garantindo que ele continue a contar as histórias do país, dialogando com o presente e projetando o futuro.”
30 anos de retomada
Foi com essa tônica de celebração e de reconhecimento que a Petrobras promoveu ontem a mesa “Petrobras e Cinema Brasileiro: 30 anos de história”. Participaram do encontro o ator Rodrigo Santoro, o produtor Flávio R. Tambellini, a distribuidora Silvia Cruz e o gerente de patrocínios culturais da estatal, Milton Bittencourt, sob a mediação da apresentadora e cineasta Marina Person.
Ao longo de três décadas, a Petrobras patrocinou mais de 600 produções brasileiras, entre longas, curtas e documentários. Estão na lista filmes que marcaram época e conquistaram público e crítica, como Cidade de Deus, Tieta do Agreste, O Quatrilho, Carandiru, Bacurau e o recente O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, premiado no Festival de Cannes, na França, e escolhido para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar.
Incentivo à cultura
Marina Person destacou o impacto desse apoio contínuo:“Não haveria 30 anos de história e 600 filmes viabilizados sem um aporte consistente como o da Petrobras. É um investimento que não só fortalece a produção, mas também a identidade cultural do país.”
Convidado de honra, o ator Rodrigo Santoro compartilhou lembranças pessoais que ligam sua trajetória à companhia. Seu pai, imigrante italiano, trabalhou por décadas na Petrobras.
“A rotina de dedicação do meu pai à Petrobras foi um exemplo que me marcou profundamente. Esse senso de responsabilidade e disciplina certamente me acompanha até hoje”, afirmou.
O ator também relembrou seu primeiro papel em longa-metragem, no filme Bicho de Sete Cabeças (2001), de Laís Bodanzky, que lhe rendeu prêmios e reconhecimento. Ao comentar sobre críticas às leis de incentivo e ao patrocínio privado e estatal, Santoro foi direto: “Há muito preconceito em relação à Lei Rouanet e ao patrocínio cultural. Criou-se um estigma, mas é preciso compreender a importância desse fomento. Sem esse apoio, muitos dos filmes que hoje celebramos jamais teriam existido.”
O produtor Flávio Tambellini destacou a realização de Malês, dirigido e protagonizado por Antonio Pitanga, um projeto que levou mais de duas décadas para se concretizar: “Foi um processo longo e desafiador. O apoio da Petrobras foi essencial para tornar realidade essa obra que resgata a história de resistência negra no Brasil. É um filme histórico e necessário, que só pôde existir com esse suporte”, afirmou Tambellini.
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