Expectativas de inflação continuaram caindo, mas permanecem acima da metaMarcello Casal Jr/Agência Brasil
"Endossando o cenário esperado do comitê até aqui, prosseguem a moderação gradual da atividade em curso, a diminuição da inflação corrente e a redução nas expectativas de inflação. No entanto, o Comitê seguirá vigilante e, como usual, não hesitará em retomar o ciclo de alta se julgar apropriado", diz o 16º parágrafo da ata.
Na ata da sua última reunião, o colegiado reafirmou o "o firme compromisso com o mandato do Banco Central de levar a inflação à meta".
Emendou que seguirá acompanhando o ritmo da atividade econômica - que destacou ser fundamental para a determinação da inflação, em particular a de serviços - e das expectativas de inflação - que afirmou continuarem desancoradas e serem determinantes para o comportamento da inflação futura.
Também afirmou que seguirá acompanhando o repasse do câmbio para a inflação, o balanço de riscos, e a dinâmica da inflação corrente.
"Diante das condições observadas e prospectivas, o cenário prescreve uma política monetária significativamente contracionista por período bastante prolongado", disse.
O comitê ressaltou na sequência que "a perseverança, firmeza e serenidade na condução da política monetária favorecerão a continuidade desse movimento, importante para a convergência da inflação à meta com menor custo".
Disse também que a conclusão obtida durante a reunião e compartilhada por todos os membros do Copom foi a de que "em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado".
O colegiado destacou que continua acompanhando detidamente o comportamento do mercado de trabalho. Segundo a ata, o debate da última reunião, dos dias 9 e 10, enveredou por duas dimensões: uma conjuntural, buscando entender o aquecimento do setor e suas perspectivas, e uma estrutural, sobre como o mercado de trabalho se alterou e como cada mudança tem impactado indicadores e a sua interpretação.
"Concluiu-se que o mercado de trabalho está em patamar bastante apertado, que há sinais incipientes de desaquecimento e que a compreensão da separação entre fatores conjunturais e estruturais deve continuar a ser aprofundada, à luz de evidências que necessitam de tempo para uma análise mais robusta", diz o 6º parágrafo da ata.
"O cenário externo ainda segue incerto. Os riscos de longo prazo, assim como várias das fontes de incerteza mais imediatas se mantêm. De todo modo, ainda que muitos riscos latentes persistam, o cenário internacional está menos incerto do que esteve há alguns meses", diz o texto.
A avaliação contrasta com a ata anterior, publicada em 11 de novembro. Naquele momento, o Copom havia mencionado "riscos de longo prazo", como a política comercial americana, a precificação de fundamentos e o aumento dos gastos fiscais em vários países. Também havia mencionado a necessidade de cautela.
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