Novas regras constam da Resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) divulgado nesta sextaJoédson Alves / Agência Brasil
Na prática, só continuarão permitidos contratos ligados a temas econômicos e financeiros, como inflação, juros ou preço de commodities, que são os bens primários com cotação internacional.
As novas regras constam da Resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) 5.298, aprovada na noite de quinta-feira (23) pelo órgão, mas divulgada somente nesta sexta-feira (24).
O mercado preditivo funciona como uma espécie de “bolsa de apostas” sobre eventos futuros. Nele, as pessoas compram e vendem contratos baseados em perguntas simples como “Vai acontecer ou não?”
Se o evento acontecer, quem apostou ganha dinheiro. Se não acontecer, perde.
A diferença em relação às apostas tradicionais é que:
- Nas bets, a empresa define as regras e paga os prêmios;
- Nos mercados preditivos, os próprios usuários negociam entre si;
- Esses contratos são tratados como derivativos, tipo de investimento que depende do valor futuro de algo.
Com a nova regra, ficam proibidos no Brasil contratos ligados a:
- Resultados de jogos esportivos;
- Eleições e temas políticos;
- Reality shows e entretenimento;
- Eventos sociais ou culturais.
O que continua liberado?
Ainda será possível negociar contratos ligados a variáveis econômicas, como:
- Taxa de juros;
- Inflação;
- Câmbio;
- Preço de petróleo ou outras commodities.
Por que o governo tomou essa decisão?
O principal motivo é que o governo passou a entender que apostas sobre eventos não-financeiros funcionam, na prática, como jogos de azar, não como investimentos.
Dessa forma, apostas em eventos não financeiros só podem ser feitas por meio de bets, que exigem:
- Licença do Ministério da Fazenda;
- Pagamento de taxas;
- Regras de proteção ao jogador.
O que muda para o setor?
A decisão reduz drasticamente o espaço de atuação de empresas de mercado preditivo no Brasil, como plataformas internacionais que ofereciam apostas sobre eleições ou eventos globais.
Por outro lado, o governo tenta:
- Evitar riscos para investidores;
- Reduzir especulação excessiva;
- Organizar um setor que crescia sem regras claras.
Quando passa a valer?
As novas regras entram em vigor em 4 de maio e fazem parte de um movimento mais amplo do governo para organizar o mercado de apostas e produtos financeiros no país.