Vasco x Flamengo: Gerações de um clássico

Vascaínos experientes e jovens rubro-negros têm em comum o prazer de ver um título sobre o rival. Neste domingo, os dois clubes escrevem um novo capítulo dessa história na primeira partida da final do Carioca de 2019

Por Hugo Perruso e Yuri Eiras

Torcedores de Vasco e Flamengo
Torcedores de Vasco e Flamengo -

O vascaíno que teve o prazer de desfrutar dos anos 1970 e 1980 nutriu sentimentos parecidos com o rubro-negro dos anos 1990 e 2000. Cada um à sua maneira, ambos viram seus times campeões justamente no período mais vitorioso do arquirrival. Mas os torcedores do Vasco, desde 1988, não sentem mais essa emoção diante do adversário, diferentemente dos jovens apaixonados pelo Flamengo, que só têm a comemorar quando encaram os vascaínos em finais. Hoje, às 16h, os dois clubes fazem a primeira partida da decisão do Carioca, no Engenhão, para incluir mais uma memória especial do clássico em seus torcedores.

Antes do jejum, ver Zico com a 10 do Flamengo não assustava os cruzmaltinos, campeões sobre o rival em 1977, 1982, 1987 e 1988 — o último já sem o Galinho. Nilo Sérgio Chagas, 44 anos, ainda era garoto no gol do título carioca de 1987, marcado por Tita. "O que marcou muito para mim naquele jogo, além do gol, foi o Maracanã entupido, aquela festa pacífica. O Vasco era muito forte, batia de frente com todo mundo", lembra.

Já o português Arnaldo Bazilio, 72 anos, estava no Maraca no gol inesquecível de Cocada, em 1988. "É sempre bom vencer, mas o gosto sobre os urubus é muito melhor. Apesar de tudo, dava gosto de ver aquele Flamengo jogar, ainda mais vencê-los nas finais, até porque o Vasco também tinha grande time. Íamos com confiança, e ela ainda existe", comenta, apostando em vitória por 2 a 1 e empate no segundo jogo.

O gol de Cocada, aliás, virou uma escrita incômoda: desde 1988 o Vasco não ganha do Flamengo em uma final — a Taça Guanabara de 2000, marcada pelo chocolate de 5 a 1 na última rodada não entra na conta, já que os rubro-negros acabaram o turno na terceira colocação, atrás ainda do Botafogo.

Desde então, as gerações mais novas de rubro-negros não sabem o que é perder em finais para o rival. Inclusive, o Flamengo se gaba de ter sido tri sobre o Vasco em 1999, 2000 e 2001, na época de Romário, Edmundo e Cia. As primeiras memórias de futebol de Tadeu Rocha, 27 anos, são justamente desse período: "O gol do Petkovic, aos 43 do segundo tempo, foi a minha primeira memória viva. Lembro de sair correndo para comemorar".

Pé-quente, o torcedor Andrews Esteves, 26 anos, também viu de perto o gol salvador do sérvio em 2001. "Minha primeira lembrança de umclássico é na antiga geral. O Vasco ia ganhando o título, até que surgiu a falta. O final a gente já sabe", recorda-se o rubro-negro, que acredita em Gabigol como herói e provoca. "Sempre sabemos que vamos ganhar a final. O Vasco já entra em campo com medo de jogar contra o Flamengo".

Quem leva?

Com vitórias memoráveis em finais, as lembranças do rubro-negro Gleison Nascimento, 24 anos, são das brincadeiras no quintal de casa. "Minha família é dividida. Todo Flamengo e Vasco era uma brigalhada. Meu tio, vascaíno, morava no andar de cima, e quando o Vasco fazia gol ele batia o cabo de vassoura no chão para me perturbar. Em 2004, nos três gols do Jean (3 a 0), eu fui à forra. Voltei da escola com a faixa de campeão, não tirei para nada'.

Mas se depender dos vascaínos, a alegria rubro-negra vai acabar, assim como o jejum em finais, para voltar aos bons tempos. "A rivalidade era grande, bate saudade (das conquistas sobre o rival). Estou muito confiante. O Flamengo é bom no papel, mas o Vasco é mais equilibrado, está jogando com muita vontade mesmo sem craques.O jejum vai acabar tranquilamente", crava o vascaíno Adelino Fonseca, 62 anos, presente no Maraca em 1988 e apostando em duas vitórias por 1 a 0.

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