Das suas 13 lutas, Raoni venceu sete por nocaute. Já seu oponente nunca foi nocauteado, mas Raoni já mostrou no octógono que isso não é um empecilho:
"Na minha estreia no UFC, lutei com o Kurt Holobaugh, que também nunca tinha sido nocauteado e eu o nocauteei. Quando a mão entra não tem jeito. Mas coloquei na minha cabeça que o nocaute e a finalização são consequências da luta. Vou fazer meu papel, ir pra cima, buscando a vitória a todo momento. Mas entro sempre pra lutar os três rounds", diz o carioca da gema, garantindo que já está sentindo o carinho do público: “Estou me preparando 110% pra essa luta. Não estou sentindo pressão alguma, muito pelo contrário. O que eu estou sentindo é a vibração positiva de todo mundo”.
Importância do pai
Raoni começou sua caminhada no jiu-jítsu ainda na infância. Na adolescência, migrou para o judô e colecionou títulos, como os Campeonatos Mundiais nas faixas azul e roxa, além de vários Brasileiros. Depois, foi para a luta olímpica, chegando à seleção brasileira, pela qual ganhou medalhas em Sul-Americanos e Pan-Americanos.
A paixão pelas lutas (e vitórias) é uma herança de família. O atleta de 32 anos é filho do lendário mestre Laerte Barcelos, faixa-coral de jiu-jítsu. Foi ele que iniciou Raoni no esporte e, hoje, atua como seu treinador. Mais que isso, é uma inspiração.
“Se estou na luta é por causa do meu pai. Ele que me ensinou os primeiros passos, que me ensinou o esporte, não somente o jiu-jítsu, mas também o judô e a luta olímpica. Meu pai é um grande ícone, uma inspiração em minha vida. Estar com ele sempre ao meu lado é sensacional", emociona-se o lutador, sem pensar duas vezes quando perguntado para quem dedicará um possível triunfo: "Para ele, lógico! Merece muito".
O gás que vem das crianças e dos jovens
A parceria entre pai e filho vai além das competições: os dois trabalham juntos na Usina de Campeões, projeto social que funciona na Refit, refinaria de petróleo em Manguinhos. A escola ensina, de forma gratuita, artes marciais a crianças e jovens carentes que moram na região.
"Estou todos os dias em Manguinhos como professor de luta olímpica e meu pai, como professor de jiu-jítsu. Damos aulas terça e quinta. A Usina de Campeões tem um papel fundamental na minha vida, faz uma diferença muito grande ensinar, fazer o bem para esses alunos que não têm praticamente nenhuma referência, nenhum apoio. É o que me dá energia para treinar. É uma honra entrar num octógono representando todos eles", orgulha-se o lutador do UFC, que ainda tenta reativar outro projeto social, em Marechal Hermes: "A gente parou por falta de verba. Não conseguimos mais pagar o espaço, os professores. Mas estamos tentando".
É bom não duvidar de que Raoni é forte o bastante para conquistar mais essa vitória. Que ele vença o descaso por nocaute.