Joana Maranhão fala de trauma após aborto espontâneo e assédio

Nadadora revelou sua intimidade em entrevista à 'Marie Claire'

Por O Dia

Joana Maranhão
Joana Maranhão -
Rio - Joanna Maranhão, grávida de nove meses, entrou na reta final da gestação de Caetano, seu filho com o judoca e campeão olímpico Luciano Corrêa. Em entrevista à Marie Claire, a atleta relembrou o caso de assédio que sofreu e mergulhou em um assunto delicado, ao contar sobre o aborto espontâneo que sofreu na primeira gravidez:
"Quando perdi meu filho, estava no limbo. Não queria engravidar de novo: estava imersa na dor e não conseguia olhar para o futuro. Foi pontual, uma dor profunda. Perder um filho é algo muito difícil. Em relação a idade, nunca tive crise. Não me vejo como uma mulher de 32 anos, pois quando se é atleta, faz a mesma coisa dos 3 aos 31 anos. O que começou como treino, se tornou meu trabalho. Não existe uma ruptura, que é o que acontece quando você, por exemplo, termina o colégio ou a faculdade", disse Joana, que também falou sobre o assédio que sofreu quando era jovem.
"A primeira coisa que fiz quando me dei conta de que tinha sido vítima de assédio foi evitar estar no mesmo ambiente e não treinar mais com ele. Fugi: troquei de escola e de clube. Toquei minha vida como se nada tivesse acontecido. Foi o que consegui fazer aos 9 anos: me silenciar. Não tinha idade nem maturidade para enfrentar o problema, então, coloquei-o numa gavetinha na minha mente e a tranquei. Não toquei mais no assunto. Fui vivendo, mas, no fundo, sabia que algum dia teria de me aprofundar nesta dor. Só encarei os problemas com seriedade e me aprofundei na dor aos 18 anos, iniciando um processo de recuperação que durou até os 30".
Joana também deixa uma mensagem para as mulheres que tem algum tipo de receito em denunciar um assédio ou agressão: "A denúncia não é a solução, mas é um ato de coragem. Só 10% das denúncias chegam a uma punição para o abusador. Na delegacia, por exemplo, você pode pegar uma equipe despreparada, que fazem perguntas que não deveriam ser feitas e, até mesmo, culpam a vítima pelo tempo que ela demorou para falar pela primeira vez sobre o tema. Quando você consegue verbalizar, abre a caixa de Pandora: aquilo ecoa e terá que lidar com as consequências. Não é apenas denunciando que as cicatrizes desaparecem. Tenho a obrigação moral de falar com mulheres e também homens sobre o que vem depois, pois é muito sofrido', completou. 
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