O goleiro Everson, do Atlético-MG, foi vítima de injuria racial após o empate em 1 a 1 com o Libertad, na noite desta terça-feira, 27, no Defensores del Chaco, em Assunção, capital do Paraguai. O Galo registrou as imagens, e o diretor de futebol do clube as encaminhou ao delegado da partida, que dará conhecimento da situação à Conmebol.
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Indignação é a palavra que define o sentimento do Galo diante das manifestações racistas de torcedores do Libertad, dirigidas ao goleiro Everson.
Punições realmente severas precisam ser aplicadas para que essas cenas covardes e inadmissíveis, vistas no Defensores del Chaco, não aconteçam nos estádios da América do Sul.
Ao nosso paredão e multicampeão Everson, o carinho e a admiração de toda a Massa Atleticana.
O Atlético registrou imagens dos lamentáveis insultos racistas e o diretor de futebol do Clube, Rodrigo Caetano, as encaminhou de imediato ao delegado da partida, para dar conhecimento do ocorrido à Conmebol.
O Atlético registrou imagens dos lamentáveis insultos racistas e o diretor de futebol do Clube, Rodrigo Caetano, as encaminhou de imediato ao delegado da partida, para dar conhecimento do ocorrido à Conmebol. pic.twitter.com/PiGK82zuBv
Na zona mista do estádio, Everson conversou com a reportagem da ESPN e detalhou a situação. Confira:
"Quando comecei a entrevista, muitos torcedores começaram a me xingar por causa do jogo, mas eu não dei atenção. Aí, eles tocaram num ponto mais forte, mais uma vez um caso de racismo no nosso continente. Isso não é só aqui no Paraguai, é na Argentina, é no Chile... em todos os nossos países vizinhos, infelizmente, ainda tem isso com nós, brasileiros".
"Então, acabou acontecendo mais uma vez esse caso comigo. Procurei me manter mais concentrado para poder dar a entrevista, mas vi que nosso cinegrafista estava filmando. Então, procurei não fazer nenhum gesto, me manter calmo, deixar eles fazerem o que estavam fazendo. O cinegrafista estava filmando para que nós pudéssemos ter imagem comprovando o que a gente vem passando aqui por causa do racismo".
"Não é a primeira vez no Paraguai, infelizmente não vai ser a última. Hoje o caso é comigo. É ter paciência, saber que somos todos de carne e osso. Cada um tem sua etnia, cada um tem seu estilo, seu modo de vestir, tipo de cabelo, tipo de barba... Precisamos de um pouco mais de compaixão com o próximo para podermos viver sem isso. No que depender de mim, vou tentar buscar meus direitos para que, pelo menos comigo, isso não aconteça mais uma vez".
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