Justiça da Espanha anulou condenação de Daniel Alves, acusado e condenado por agressão sexual contra uma jovem em dezembro de 2022AFP

Rio - A advogada da jovem vítima de agressão sexual vai recorrer contra a decisão do Tribunal Superior de Justiça da Catalunha (TSJC), que anulou a condenação do ex-jogador Daniel Alves nesta sexta-feira (28). O brasileiro, que recebeu uma pena de 4 anos e 6 meses, está em liberdade condicional desde março do ano passado.
O Tribunal concluiu por unanimidade que a sentença dada em fevereiro do ano passado teve "deficiências de análise". A Justiça entende que a presunção de inocência deveria prevalecer no caso, já que consideraram o depoimento da jovem como "insuficiente" para sustentar a condenação. Porém, ressalta que o fato de ter anulado a sentença "não significa que a hipótese verdadeira seja da defesa".
"(A jovem) Está muito decepcionada, triste e sentido como se estivesse voltando ao banheiro em que tudo aconteceu. Entendemos que tem sido o que constitui um retrocesso jurídico e social na luta contra a violência sexual. De alguma maneira, pode desincentivar as mulheres que denunciam as violações sexuais que sofrem depois de um tempo", disse Ester García, advogada da jovem.
Daniel Alves foi acusado de agressão sexual a uma mulher em uma discoteca de Barcelona, em dezembro de 2022. O ex-jogador foi preso de forma preventiva por 14 meses e foi condenado em decisão unânime a 4 anos e 6 meses. Porém, o brasileiro obteve liberdade por ter desembolsado o valor de 1 milhão de euros (R$ 5,4 milhões na época) um mês depois da sua sentença.
Com essa decisão, Daniel Alves fica totalmente em liberdade e sem nenhuma acusação na Justiça espanhola. O ex-jogador não atua profissionalmente desde 2023, quando teve seu contrato rescindido junto ao Pumas, do México, após a exposição da denúncia de agressão sexual. O clube mexicano ainda busca, junto ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), uma indenização financeira, prevista em contrato, pela quebra do vínculo.