Maradona morreu aos 60 anos de parada cardiorrespiratóriaAFP
O tribunal busca determinar a responsabilidade da equipe médica que o tratava, após uma neurocirurgia realizada semanas antes de sua morte em 25 de novembro de 2020.
Para isso, o processo iniciado em março se concentrou na qualidade do atendimento domiciliar de Maradona.
A hospitalização "foi uma encenação, uma peça de teatro que eles montaram para continuar com o que eles estavam buscando tão desesperadamente, que era manter meu pai em um lugar escuro, feio e solitário", disse Gianinna Maradona, de 35 anos, em meio às lágrimas, diante de um tribunal em San Isidro, ao norte de Buenos Aires.
Seu advogado, Fernando Burlando, disse no início do julgamento que havia um "interesse financeiro" por trás da decisão de manter Maradona em uma casa, sem especificar qual.
Na audiência desta terça-feira, foi reproduzida uma mensagem de áudio que o psicólogo acusado Carlos Díaz, especialista em dependências, enviou dias antes da morte do astro à psiquiatra Agustina Cosachov, também acusada.
A mensagem sugeria preocupações mais legais do que médicas: "Aqui, o objetivo estratégico é passar a responsabilidade para a família (...) É uma forma de nos protegermos", diz o psicólogo no trecho, que provocou murmúrios de desaprovação na sala.
Durante a audiência, também foi reproduzida uma gravação da reunião realizada no início de novembro de 2020, na qual a equipe médica, a família e outros membros do entorno de Maradona decidiram pela internação domiciliar. Gianinna, que participou da reunião, caiu no choro ao ouvir o áudio.
Para ela, tudo é "muito injusto". "Toda essa conversa, tudo o que não aconteceu, o que foi prometido e não cumprido. Os responsáveis que falaram lá e prometeram coisas que não aconteceram depois. Acho que foi uma manipulação terrível", declarou.
"Eu queria poder voltar no tempo e expulsar todos eles", ela acrescentou entre lágrimas.
Gianinna estava acompanhada de seu filho Benjamín, sua irmã Dalma e sua mãe e ex-esposa de Maradona, Claudia Villafañe. Tia e sobrinho presenciaram o depoimento abraçados, visivelmente emocionados.
Médicos, enfermeiros, o psiquiatra e o psicólogo são acusados de homicídio doloso, uma acusação que implica que eles sabiam que suas ações poderiam levar à morte do paciente. Eles correm o risco de pegar entre 8 e 25 anos de prisão se forem considerados culpados.

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