Sebastião Salgado é considerado o maior fotógrafo brasileiroAFP
Sebastião Salgado foi 'salvo' por Pelé ao ser ameaçado de morte
Fotógrafo, que faleceu nesta sexta-feira (23), teve história curiosa com o Rei do Futebol em viagem à África
Rio - Nesta sexta-feira (23), o mundo se despediu do brasileiro Sebastião Salgado, que morreu aos 81 anos. Reconhecido como um dos maiores fotojornalistas do mundo, se destacava por retratar, sempre em preto e branco, a natureza e a vida humana por todo o planeta. Em uma de suas viagens, em 1994, para documentar o genocídio em Ruanda, Salgado teve sua vida salva por "ser da terra de Pelé".
Com o assassinato do então presidente Juvénal Habyarimana, em 6 de abril de 1994, ocorreu um vácuo de poder que resultou num massacre desmoderado por extremistas hutus contra a minoria étnica Tutsi e adversários políticos. Cerca de 800 mil pessoas foram assassinadas em apenas 100 dias.
Em busca de documentar o evento, Sebastião Salgado estava em um campo de refugiados na Tanzânia, país fronteira com Ruanda, quando encontrou um grupo de pessoas que fugiram do massacre pelo Rio Kagera, que separa os dois países. O fotógrafo, junto com um guia tutsi que falava francês, decidiu ir na direção contrária das vítimas e tentar chegar mais próximo do rio.
"Havia uma quantidade de mortos descendo o rio. Tinha uma queda-d`água um pouco acima e eu contei, em meia hora, 29 corpos caindo. O barquinho que trazia os fugitivos voltava vazio e eu fui perguntar ao pessoal se podia ir nele até Ruanda. De repente, tinha umas dez pessoas com facões em volta de mim", disse Salgado à antiga revista Playboy.
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Segundo o fotógrafo, o tradutor disse que os dois seriam mortos, pois os homens achavam que ele era francês, aliados dos tutsis. "Fala para eles que eu sou do país do Pelé!", pediu o brasileiro.
Segundo Salgado, após ouvirem o nome do Rei do Futebol, o clima ficou mais leve e os homens o pouparam.
"O Pelé é realmente conhecidíssimo e de certa forma salvou a minha vida", concluiu.

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