John Textor foi afastado do comando da SAF do BotafogoVitor Silva / Botafogo
Publicado 29/04/2026 06:00
Rio - O Botafogo viveu uma montanha-russa nos últimos anos. Da esperança à crise, a história de John Textor à frente da SAF está cada vez mais perto do fim. No capítulo mais recente da briga societária, o empresário norte-americano foi afastado do comando por decisão do Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que pode ser revista nesta quarta-feira (29).
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Após a chegada de John Textor, o torcedor do Botafogo criou esperança por um futuro vitorioso mesmo após bater na trave na disputa pelo título do Brasileirão de 2023. No ano seguinte, viveu um momento mágico com o título inédito da Libertadores, além do Brasileirão. Desde então, a história mudou. Hoje, o cenário é de incerteza e e caos administrativo.
"Com essa crise (financeira e administrativa), está difícil torcer pelo Botafogo. Não por falta de amor ao clube, mas é que agora o torcedor tem que entender de Direito Societário, Direto Desportivo, Matemática Financeira e Geopolítica Internacional. Em breve, o candidato a torcedor vai ter que fazer um Enem", disse o humorista Hélio de La Peña em entrevista ao DIA.
No último dia 23, John Textor foi afastado do comando da SAF do Botafogo. O que desencadeou a saída do empresário foi o pedido de recuperação judicial sem a anuência dos outros sócios, clube e Eagle Bidco (controlada atualmente pelos credores), como prevê a diretriz da empresa. Campeão brasileiro com o Glorioso em 1995, o ex-zagueiro Gonçalves não vê outra saída administrativa.
"O sentimento é de decepção em relação ao John Textor, por todos esses problemas e o caos financeiro (...) Acho que cometeu um erro ao ter comprado outros dois clubes além do Botafogo. É uma pena. Acho que não terá outra saída para o clube, em termos administrativos, senão a recuperação judicial. Fechar, o Botafogo não vai fechar nunca, pela grandeza", afirmou.
Em uma linha de raciocínio semelhante, Donizete Pantera foi outro que manifestou preocupação com a situação financeira e administrativa do Botafogo. O ex-jogador, que também foi campeão brasileiro com o Glorioso em 1995, considera a situação delicada e destacou que Textor conseguiu colocar o Glorioso de volta no topo, mas lamentou a complicação nos últimos meses.
"É delicado, todos sabemos. Não é fácil para o Textor, para ninguém. Ele veio com a intenção de ajudar o Botafogo, de recolocar o Botafogo no lugar em que sempre mereceu. No andar da carruagem, teve imprevistos e a situação se complicou. Esperamos que possa reverter isso. O Botafogo é muito grande, forte e vai sair dessa", avaliou.
A crise no Botafogo ganhou um novo capítulo nesta última segunda-feira (27), quando a SAF enviou um documento para o Tribunal Arbitral declarando um "inegável estado pré-falimentar". No documento, a SAF diz que não há dinheiro para pagar salários de jogadores e funcionários, além de revelar que existe uma venda de atleta encaminhada para levantar recursos.
"Cada dia chega uma notícia nova e negativa, principalmente na parte financeira. Ficamos preocupados pelo que temos visto e escutado sobre a situação em que o clube se encontra (...) É preocupante. Textor foi como um furacão para nós. Chegou, reforçou a equipe, enriqueceu o caixa e contratou grandes jogadores. Mas parece que foi um sonho e acordamos agora, que voltamos nos anos anteriores", disse André Silva, mais um campeão brasileiro pelo clube em 1995.
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