Malhadinho teve sua atuação criticada (Foto: Reprodução/UFC)

A derrota de Jailton Malhadinho para Alexander Volkov no UFC 321, realizado no último sábado (25), em Abu Dhabi (EAU), segue rendendo repercussão no mundo do MMA. Entre os que avaliaram de forma crítica a performance do baiano está Marcos Parrumpinha, treinador da American Top Team (ATT) e um dos analistas mais experientes do cenário. Em participação no podcast "MMA Hoje", o técnico reconheceu as virtudes do brasileiro, mas destacou o que, em sua visão, tem sido o principal problema de Malhadinho: a falta de contundência no solo.

Segundo Parrumpinha, apesar do excelente controle posicional e das quedas precisas, o peso-pesado ainda peca pela ausência de ground and pound — elemento que poderia garantir vitórias mais expressivas e evitar que os juízes decidissem contra ele em lutas equilibradas.

“O Malhadinho tem uma combinação muito boa de Wrestling e controle, mas ele tem um problema sério: ele não bate! Zero. Ele não dá nenhum soco, nenhuma cotovelada. (…) Ele foi raspado de novo pelo Volkov. Não sei se jogou o peso para o lado errado, mas não gostei da apresentação dele. Gostei das quedas, ele deu uma aula de quedas, mas no chão ele erra”, criticou o treinador.

A luta seguiu um roteiro previsível: Malhadinho evitou trocação e focou em derrubar o gigante russo desde o primeiro round. Apesar de conseguir colocar Volkov no chão repetidas vezes, o brasileiro pouco produziu ofensivamente, limitando-se ao controle posicional. Em contrapartida, o russo foi mais agressivo por baixo, acertando cotoveladas e buscando finalizações — o que acabou pesando na decisão dividida a seu favor.

No segundo assalto, o baiano manteve a estratégia e conquistou novas quedas, mas o público reagiu com vaias diante da falta de ação. Mesmo quando teve as costas de Volkov, Malhadinho não conseguiu desenvolver o jogo ofensivo, levando o árbitro a reiniciar a luta em pé. A cena se repetiu no round final, com o brasileiro insistindo nas quedas, mas novamente sem gerar dano efetivo.

O revés freia momentaneamente o avanço de Jailton na elite dos pesos-pesados, categoria dominada por nomes de perfil mais agressivo, como Tom Aspinall. A análise de Parrumpinha reforça o debate sobre a necessidade de o brasileiro ajustar sua postura no solo para se manter competitivo diante dos principais grapplers e strikers da divisão.