Pedro Emanuel em ação durante treino do Vasco, no CT Moacyr BarbosaMatheus Lima / Vasco

Técnico do Vasco, Pedro Emanuel analisou a goleada sofrida por 4 a 1 para o Palmeiras, neste domingo (23), no Nubank Parque, pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro. O comandante lamentou a falta de efetividade na fase ofensiva. O Cruz-Maltino foi melhor no primeiro tempo, mas não conseguiu aproveitar as chances criadas. No começo da etapa final, sofreu um apagão, levou três gols em dez minutos, e viu o Verdão construir o resultado. 
“Até a primeira parte, tivemos nossas oportunidades. A grande diferença que tivemos deste jogo para o último, é que nas três chances que tivemos contra o Olimpia, na primeira parte, nós fizemos duas. E hoje, tivemos as mesmas oportunidades e não conseguimos fazer. Futebol é o gol, faz diferença”, iniciou o treinador, em entrevista coletiva.

“Hoje, se fizéssemos um gol poderíamos ter feito mais. Acaba sendo uma derrota penalizadora. Sete gols em dois jogos acho que é demasiado pelo que temos produzido”, ponderou.
Com a derrota, o Vasco ficou nos 22 pontos, na 19ª posição. O próximo compromisso será contra o Vitória, quarta-feira (26), às 21h30 (de Brasília), na ida das quartas de final da Copa do Brasil. O Cruz-Maltino tenta mandar o jogo no Maracanã, mas ainda não há definição. Caso não consiga acordo, a partida acontecerá em São Januário.

Outras respostas de Pedro Emanuel

. Léo Jardim falhou?: “Quantas defesas ele conseguiu fazer? O primeiro gol é um golaço, o segundo é o pênalti. Posso, eventualmente, considerar uma falha no terceiro. Quantas oportunidades claras teve para intervir? Às vezes criamos um enredo, quando, por exemplo, no jogo contra o Olimpia, ele fez uma exibição quase perfeita. Eventualmente, no terceiro gol, posso te dar razão. Mas o Léo não deixa de ser quem é e ajudar a equipe. Vai ter momentos abaixo, como todos, mas temos que saber lidar com isso, motivar. Ele tem sido muito importante para nós, não só no jogo, mas no vestiário também, e eu valorizo muito isso”.
. Falta de concentração: “Essa é a parte mais difícil. Se tivéssemos corrigido isso antes, não estaríamos nessa posição. Tem a ver com detalhes que fazem a diferença nos jogos. Sofremos gols de situações que preparamos para o jogo. Sabemos que o Palmeiras é forte no jogo longo, na segunda bola, no chute de fora da área. Faltou esse detalhe, da pressão na bola, até recolhemos bem, mas isso faz parte. É uma equipe que tem sofrido bastante, não só agora, mas nos últimos anos, e quer largar essas posições. Isso requer a decisão do jogador. Queremos ter o que tivemos contra o Olimpia e no primeiro tempo com o Palmeiras”.
. Contato com Marcos Lamacchia: “Me faz perguntas muito difíceis de responder. Essa parte cabe a vocês pesquisarem. De fato o cumprimentei, conheci a pessoa, se apresentou, mas nada além disso. Foi uma cortesia da parte dele. Sobre o resto, estamos em uma luta, assim como outros torcedores e outras equipes que estão à nossa volta, fazendo a mesma pergunta. É um campeonato extremamente competitivo. Temos uma dificuldade a mais porque nossos concorrentes diretos já não estão em outras competições. Não vou deixar de dizer o que disse: não vamos abdicar de nenhuma competição, mas em alguns momentos temos que perceber que, para lutar e ter essa ambição, nos custa”.
. Gestão do elenco: “Podemos falar da gestão do grupo, do elenco, e vou fazendo isso pontualmente porque sinto que os jogadores estão dando boas respostas. É importante sentirmos o momento de cada jogador. E sobre os reforços, fiquei feliz pelos que entraram. Aqueles que entraram construíram nossos gols. Avellar, Colidio. Deu para sentir que estão aqui para ajudar. Essa é a única satisfação que levo do jogo. Queríamos ter feito mais e ser mais competitivos durante o resultado”. 
. Como gerir o grupo nas decisões: “Nós nem treinamos. Tivemos dois dias para cada um dos jogos. É um desafio grande para todos nós. Principalmente pela forma como temos jogado. Queremos estar no jogo e isso desgasta bastante. Tínhamos essa noção. Nós viemos jogar com o Palmeiras com menos de um dia de recuperação. A seguir, vamos jogar a Copa do Brasil e o Brasileirão com menos de um dia de recuperação. Essa questão, por menos importante que possa ser para a torcida, faz uma diferença brutal. Nós não jogamos com alguns jogadores porque não estavam totalmente recuperados. Eles fazem toda a recuperação, mas alguns organismos reagem de maneira diferente. Hoje notei isso”.
“Exemplo concreto: Cuiabano, sentiu qualquer coisa e não queria sair. Mas a minha função é preservá-lo. Decisão que temos que tomar e custam para a equipe. Por que o Colidio não jogou? Não estava 100% e eu prefiro não arriscar. Prefiro uma equipe que seja competitiva. Eu tenho que ir com esses feelings. Hoje não foram bem, mas não deixo de acreditar nos meus jogadores, mesmo que tenham erros. Vamos para a Copa do Brasil da mesma maneira que fomos para a Sul-Americana, a equipe que entendo que está mais fresca e mais capaz para entrar no jogo. Mas vamos debilitados porque o tempo de recuperação é menor, é só ver o calendário”.
. Jejum fora de casa no Brasileiro: “É um fato, não vou contestar isso. Não temos vitória fora de casa. É um objetivo que perseguimos. Olhando pro primeiro tempo hoje, faltou o gol para poder nos dar aquela vantagem que nos permite ter mais conforto no jogo. Já disse que, sofrendo três gols em 10 minutos, isso liquida qualquer equipe. Isso é algo que vamos debater porque são gols que podem acontecer pela qualidade dos jogadores do Palmeiras e pelo processo de jogo do Palmeiras. Acho que tivemos responsabilidade, acho que poderíamos ter feito mais pressão na bola. São questões que podemos trabalhar e melhorar. Contudo, fora de casa, não temos ido bem nesta competição, porque na última quinta jogamos fora e fizemos um jogo brilhante (pela Sul-Americana)”.
“Hoje não foi possível e temos que entender os motivos. Entendo que também foi uma linguagem corporal da equipe, de desgaste. Os jogadores demonstraram vontade grande, entramos entusiasmados, mas fomos perdendo um pouco de gás no jogo. Queria ter feito alterações um pouco antes, e não perdendo de 3 a 0. Em alguns momentos tenho que compreender que esperava um pouco mais deles, mas isso faz parte quando estamos jogando de três em três dias. Eles têm mostrado uma vontade grande, de estar em todas as competições e ser competitivos em todos os jogos”.
. Uso de jovens da base: “Achei que era o momento ideal para algum desses meninos que têm demonstrado qualidade na base de viver um pouco disso de grande competição, em um jogo contra o Palmeiras. Eles têm mostrado bastante. Claro que vão errar, que vão demonstrar momentos menos bons. Mas fiquei satisfeito porque o Ramon tem entrado sempre bem, tem mostrado capacidade, mas não é de um dia para o outro. Temos que dar tempo, oportunidades. O Avellar teve oportunidade. Naturalmente, entrou um pouco nervoso, o resultado não ajudou”.
“A equipe estava fragilizada, mas assim que crescemos como jogadores e homens. Mostrou caráter e vontade. Vai continuar a evoluir. Mas não é fácil. Quero ajudar a crescer, mas não quero expô-los em demasia para que não sejam demasiadamente julgados. Havendo um equilíbrio vamos continuar a fazê-los crescer. Dentro desta perspectiva, jogador não tem idade, tem qualidade. Aquele que mostrar mais qualidade, vai ter mais oportunidades”.
. O que falta para ter equilíbrio: “Acredito que o pilar mental é o fundamental. Trabalhamos muito a parte técnica, tática e física. Mas temos uma preparação mental e se formos ver o histórico do Vasco, há uma questão mental que vem oscilando bastante. Um sentimento de euforia, até pela torcida nos envolver nesse sentimento de euforia, como em Assunção, mas também momentos de frustração. Isso afeta a tomada de decisão. Traz o receio de errar. Quando não estamos fortes mentalmente, cria ruídos e nos tira a confiança. Temos melhorado bastante nesse aspecto. Foi possível ver contra o Olimpia, porque tomamos gol e reagimos no jogo. Hoje não foi assim. Sofremos três gols muito seguidos. Temos que entender porque e porque em algum momento estávamos competitivos e depois sofremos três gols em dez minutos”.
“Acho que a parte mental já melhorou bastante. Tenho sentido mais fluidez na forma como a equipe joga e em algumas partes do primeiro tempo fiquei feliz com a forma como jogamos, como tivemos a bola, da grande complexidade e compromisso dos jogadores. Fiquei muito satisfeito pelo comportamento. Depois, naturalmente, fiquei como todos nós ficamos: frustrados com o resultado final. Tenho costas largas, estou acostumado a apanhar e vamos seguir trabalhando”.
. Lado mental: “Nós, com o Santos, até o momento que sofremos gol, tivemos três oportunidades claríssimas. É um fato relevante. Quando sentimos que estamos bem no jogo, e depois levamos um soco no estômago, é um desalento muito grande. Contra o Olimpia, mostramos reação. É a grande diferença que tem acontecido nos jogos que temos perdido. Temos oportunidades, mas não concretizamos. Isso é um impacto muito positivo e muito negativo quando sofremos. Sentimos que o jogo vai cair para nós, mas levamos um balde de água fria. Temos que seguir acreditando que seremos os primeiros a marcar”.