Na formalização de denúncias junto ao Ministério Público, moradores ilustraram o grau de coloração da água Foto Rede Social/Reprodução)

Laje do Muriaé, no Noroeste Fluminense, enfrenta uma crise recorrente no abastecimento de água encanada, gerada pelo fornecimento de um produto com coloração visivelmente turva e forte mau cheiro. O caso chegou ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio de moradores e vereadores.
As denúncias foram formalizadas e ilustradas por várias fotos comparando a cor da água. Há unanimidade na exigência de providências urgentes e na devida apuração de responsabilidades sobre o serviço prestado. Ao se manifestar, a Cedae justifica que as alterações estéticas na água são reflexos temporários dos trabalhos de manutenção essenciais
para assegurar a operação do sistema.
Segundo a companhia, as equipes técnicas já atuam de forma contínua nos pontos de vazamento e purificação para estabilizar o abastecimento, defendendo que monitora os parâmetros de potabilidade e trabalha para que a distribuição retorne aos padrões regulares no menor tempo possível.
Técnicos apontam que episódios graves na qualidade da água são registrados desde 2020 na região, provocados por crises de geosmina e proliferação de algas por esgoto. Alegam, no entanto, que as falhas estruturais continuam a afetar o cotidiano da população.
Outra constatação realçada é que as causas apontadas para o atual quadro refletem a falta de investimentos preventivos crônicos combinada com incidentes operacionais na rede de distribuição. “Desta vez, a instabilidade no padrão de potabilidade decorre diretamente de serviços emergenciais e manutenções acumuladas no sistema de tratamento”, avalia um técnico que preferiu não se identificar.
Muitos riscos à saúde
O especialista acrescenta que o rompimento frequente de tubulações e adutoras principais acaba também liberando sedimentos e terra diretamente no fluxo que chega às residências. No caso de Laje do Muriaé, a população está sendo alertada para os riscos à saúde gerados pelo consumo ou uso da água.
Médicos e sanitaristas reforçam que ingerir, cozinhar ou até mesmo tomar banho com água que apresente alto índice de turbidez e odor forte pode desencadear surtos de infecções gastrointestinais, diarreia, náuseas, vômitos, verminoses e reações alérgicas na pele. Eles recomendam evitar o consumo direto das torneiras.
A situação no município continua sob forte monitoramento das autoridades em apoio à população. O MPRJ atua para que a concessionária apresente laudos técnicos detalhados e cronogramas claros de reparo, sob pena de multas e sanções por descumprimento do Código de Defesa do Consumidor.