Papa Francisco orienta debate para homens casados serem sacerdotes na Amazônia

Notificação também diz que seria necessário identificar algum tipo de "ministério oficial" para ser delegado às mulheres

Por Meia Hora

Francisco ainda pede criação de 'novos ministérios' para mulheres
Francisco ainda pede criação de 'novos ministérios' para mulheres -
Vaticano - O Papa Francisco emitiu, nesta segunda-feira, um documento que orienta à Igreja Católica a considerar pessoas mais velhas, casadas e que tenham famílias constituídas, como sacerdotes em regiões remotas da Amazônia. A recomendação seria para preferencialmente para pessoas que tiverem ascendência indígena. 
O tema será discutido no Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia, que será realizado em outubro no Vaticano.

Trata-se de uma abertura sem precedentes na história da Igreja.

O documento, publicado nesta segunda-feira pela assessoria de imprensa do Vaticano, que leva o título "Amazônia: Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral", publicado em três idiomas (espanhol, italiano e português), é composto por 147 pontos divididos em 21 capítulos e três partes.

"O celibato é uma dádiva para a Igreja, pede-se que, para as áreas mais remotas da região, se estude a possibilidade da ordenação sacerdotal de pessoas idosas, de preferência indígenas, respeitadas e reconhecidas por sua comunidade, mesmo que já tenham uma família constituída e estável, com a finalidade de assegurar os Sacramentos que acompanhem e sustentem a vida cristã", diz o texto.

O objetivo é debater em substância a questão do celibato, instituído a partir do século X, e que obriga os padres a permanecer castos.

Com este debate histórico para a igreja, Francisco quer dar uma resposta ao que ele chama de ecologia integral: "o grito da terra e dos pobres".

Considerado o pontífice mais sensível aos problemas ecológicos após a publicação em 2015 da encíclica "Laudato Sí", o papa argentino convocou a assembleia de bispos sobre a Amazônia, a fim de proteger os povos dessa região que abrange nove países e que é considerada o pulmão do planeta.

Além da abertura aos chamados "viri probati", ou seja, homens casados com funções sacerdotais, a Igreja Católica também quer refletir sobre o papel das mulheres nas áreas remotas e inacessíveis, um dos temas prioritários do pontificado de Francisco.

O documento pede uma análise da possibilidade de criar "novos ministérios para responder de modo mais eficaz às necessidades dos povos amazônicos".

O texto, elaborado com base em questionários feitos com religiosos da região, também destaca a preocupação e alarme com os graves problemas enfrentados pela Amazônia, como a devastação de seu território por grandes corporações, a corrupção, a migração para as cidades e o abandono dos povos indígenas.

É preciso "exigir dos respectivos governos que garantam os recursos necessários para a proteção efetiva dos povos indígenas isolados", clamam alguns padres sinodais.
A notificação também diz que seria necessário identificar algum tipo de "ministério oficial" para ser delegado às mulheres.

De acordo com agências internacionais, o comunicado é a menção mais direta do Vaticano à possibilidade de que homens casados possam ser padres.

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O tema será discutido no Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia, que será realizado em outubro no Vaticano AFP
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