Chilenos fazem protesto violento por falta de ajuda do governo durante quarentena

Policiais e manifestantes se enfrentaram nessa segunda-feira, em meio à falta de alimentos e trabalho

Por AFP

Manifestantes entram em conflito com a polícia de choque durante um protesto contra o governo do presidente chileno Sebastian Pinera em meio à pandemia do covid-19
Manifestantes entram em conflito com a polícia de choque durante um protesto contra o governo do presidente chileno Sebastian Pinera em meio à pandemia do covid-19 -
Santiago - Moradores de uma cidade populosa localizada no sul de Santiago enfrentaram nesta segunda-feira policiais, em protesto contra a falta de alimentos e trabalho devido à crise provocada pelo novo coronavírus, que mantém a capital chilena em quarentena total.

Moradores de El Bosque, uma das cidades mais pobres da Região Metropolitana de Santiago, protestam contra a falta de ajuda do governo do direitista Sebastián Piñera, que vem enfrentando, na última semana, um aumento do número de infecções e mortes devido ao novo coronavírus.

"Não é pela quarentena, é ajuda, alimento, isto é o que as pessoas estão pedindo neste momento", disse à AFP Verónica Abarca, moradora de El Bosque.

Os manifestantes, a maioria encapuzados, ergueram barricadas e gritaram palavras de ordem contra as autoridades. Eles enfrentaram com pedras e pedaços de pau as forças especiais da polícia, que revidaram com gás lacrimogêneo e jatos d'água. Três manifestantes foram detidos, segundo um relatório policial preliminar.

Desde a última sexta-feira, Santiago está em quarentena total, mas, há dois meses, vários setores são afetados pelas medidas impostas para controlar a epidemia.

A demanda dos moradores chegou à prefeitura de El Bosque, que, em comunicado, afirmou que a quarentena teve um rápido impacto "na qualidade de vida da população" e denunciou a falta de apresentação pelo governo de "medidas concretas" para os desempregados que vivem em áreas carentes.

"São esses moradores e moradoras que, após mais de um mês sem poderem trabalhar, sem terem sido contemplados com nenhuma medida concreta do Estado, que estão protestando", assinala a nota do prefeito Sadi Melo.

"Eu sou tosadora de cães, tenho uma microempresa, o governo não me dá nenhum bônus. Tenho quatro filhos, não me ajudam porque tenho um negócio. Muita gente aqui é microempresária e não tem ajuda", reclamou Paola Garrido, outra moradora da região.

A pandemia atingiu duramente os chilenos, principalmente os mais pobres. O protesto acontece um dia depois de Piñera anunciar a entrega de 2,5 milhões de cestas básicas para a população carente.

No mês passado, o presidente chileno anunciou a entrega de um bônus familiar para cerca de 4,5 milhões de cidadãos mais vulneráveis equivalente a 317 dólares, que não se tornou efetivo. Também em abril, o governo começou a entregar outro bônus, de 60 dólares, para os 60% de famílias mais pobres.

O coronavírus já infectou mais de 46 mil pessoas no Chile, com 478 mortos.

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