Milei lançou o plano em dezembro do ano passado para 'combater os crimes federais' como o tráfico de drogasAFP
"Foi solicitada a construção de uma cerca linear [...] para evitar que as pessoas cheguem à cidade sem passar pela migração", disse nesta segunda à Radio Mitre Adrián Zigaran, interventor da cidade de Aguas Blancas, na província de Salta, que substitui o prefeito enquanto este enfrenta uma acusação por obstrução de uma investigação criminal.
Zigaran confirmou um anúncio que tinha feito na sexta-feira em diálogo com o meio de comunicação local Nuevo Diario de Salta, e que provocou reações da diplomacia boliviana.
Em comunicado emitido no domingo, o Ministério das Relações Exteriores da Bolívia expressou "preocupação" pelo anúncio e frisou que os temas fronteiriços devem ser tratados por mecanismos de diálogo bilaterais, pois "qualquer medida unilateral pode afetar a boa vizinhança e a convivência pacífica entre povos irmãos".
De dois metros e meio de altura, a grade será instalada no trajeto entre o escritório de migração e o terminal de ônibus, que está em frente à praia do rio Bermejo, a fronteira natural entre Argentina e Bolívia e por onde, segundo Zigaran, pessoas atravessam de forma ilegal de e para essa cidade de cerca de três mil habitantes.
O rio Bermejo está dentro da chamada "Rota da droga", segundo o Ministério da Segurança argentino. Mas também é usado por argentinos que compram produtos mais baratos na cidade boliviana de Bermejo, em frente à Aguas Blancas, e depois retornam à Argentina.
"Passam ares-condicionados, geladeiras de duas portas, eletrodomésticos de última geração, como dez viagens por dia. Chegam a Orán, que fica a 50 quilômetros, e a verdade é que estão rompendo o tecido comercial de Orán e do norte argentino com esse descontrole de importação de mercadoria ilegal", assinalou Zigarán.

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