Pedras e coquetéis molotov foram atirados contra as forças de segurança, que responderam com gás lacrimogêneoAFP

Mais de 325 mil pessoas marcharam por toda a Grécia nesta sexta-feira (28) para marcar dois anos do acidente de trem que deixou quase 60 pessoas mortas. O protesto foi marcado por confrontos que deixaram cinco pessoas feridas, de acordo com os serviços de emergência. Pedras e coquetéis molotov foram atirados contra as forças de segurança, que responderam com gás lacrimogêneo.
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O país também está praticamente paralisada por uma greve geral de 24h, que tem sido amplamente acompanhada. A mobilização excedeu as manifestações que ocorreram após o desastre que custou a vida de 57 pessoas, muitas delas estudantes.
"Queremos que a justiça seja feita", gritou um manifestante em Atenas, Dimitris Korovesis, 16 anos, enquanto os gregos exigiam respostas sobre as causas exatas da colisão frontal entre dois trens em 28 de fevereiro de 2023.

"A Grécia mata seus filhos", dizia uma faixa em frente ao Parlamento no centro da capital, onde cerca de 180 mil pessoas se reuniram, segundo a polícia.

Em um ato emocionante, os nomes e as idades de todas as vítimas, a maioria delas jovens, foram lidos perante o Parlamento. Em seguida, foi feito um minuto de silêncio na presença dos parentes das vítimas, incluindo a pediatra Maria Karystianou, que atualmente lidera a luta dessas famílias para responsabilizar as autoridades.

"Hoje, devemos enviar uma mensagem forte para punir todos os responsáveis por esse drama", disse à AFP Nikos Likomytros, um estudante de história e arqueologia de 20 anos.

Em 28 de fevereiro de 2023, pouco antes da meia-noite, um trem que viajava entre Atenas e Thessaloniki, no norte, com mais de 350 passageiros a bordo, colidiu de frente com um trem de mercadorias no Vale de Tempe, cerca de 350 km ao norte da capital.

O grupo de familiares das vítimas e a sociedade civil denunciam uma suposta "ocultação" de responsabilidade pelo pior desastre ferroviário da Grécia, que se tornou um "trauma coletivo", de acordo com o primeiro-ministro conservador Kyriakos Mitsotakis.
O protesto tomou diversas ruas da cidade e chegou à praça em frente ao Parlamento grego, que precisou ser barrado pela polícia. Trabalhadores em greve paralisaram o transporte aéreo, marítimo e ferroviário.
A mobilização em Atenas se tornou violenta quando um grupo de jovens encapuzados lançou coquetéis molotov contra a polícia e tentou romper as barricadas em frente ao Parlamento. O barulho de bombas de gás lacrimogêneo disparadas pela tropa de choque ecoou pelo centro da cidade. A multidão que tomou a Praça Syntagma, em frente à casa legislativa, entoou gritos de ordem e "assassinos".
Outros protestos também foram registrados em cidades e vilarejos por toda a Grécia, em um dos maiores protestos do país nos últimos anos.
 *Com informações da AFP