Homem é repreendido por usar IA em tribunal de Nova YorkReprodução / YouTube
Homem usa advogado gerado por IA em tribunal e é repreendido por juíza em Nova York
Jerome Dewald recorreu ao avatar depois de já ter tropeçado em suas palavras em processos anteriores
Um homem reproduziu um vídeo gerado por inteligência artificial durante seu julgamento em um tribunal nos Estados Unidos. Jerome Dewald, que tentava reverter uma ação trabalhista, foi repreendido pela juíza Sallie Manzanet-Daniels assim que a gravação foi exibida, no Primeiro Departamento Judicial da Divisão de Apelações da Suprema Corte do Estado de Nova York.
O caso, que aconteceu em 26 de março, estava sendo transmitido ao vivo pelo canal do YouTube do departamento. Na live, o momento acontece no minuto 19:30. Assim que o vídeo é reproduzido nas telas do tribunal, os juízes imediatamente se olham e ficam confusos com a gravação.
No vídeo, um homem jovem surge sorridente em um fundo virtual desfocado enquanto cumprimenta a corte. "Que agrade ao tribunal. Venho aqui hoje um humilde pro se diante de um painel de cinco distintos juízes...", diz o avatar.
"Tudo bem, este é... é... espere... é o advogado do caso?", questiona a juíza Manzanet-Daniels. "Eu gerei isso, isso não é uma pessoa real", responde Jerome. "Ok, teria sido bom saber disso quando você fez sua solicitação. Você não me disse isso, senhor. Eu recebi a sua solicitação e você compareceu perante este tribunal e pôde testemunhar — verbalmente — no passado. Você foi ao escritório do meu escrivão e manteve conversas verbais com nossa equipe por mais de 30 minutos", repreendeu ela bruscamente.
"Se você quiser ter tempo de argumentação oral, pode se levantar e dá-lo a mim. Não gosto de ser enganada", acrescenta ela, que havia autorizado a reprodução do vídeo pré-gravado de Jerome sem saber que ele levaria um avatar gerado por inteligência artificial.
Ao "The New York Times", Jerome disse que ficou constrangido e enviou uma carta de desculpas para os juízes do caso. Ele explicou que recorreu à IA como uma forma de aliviar a pressão, já que havia tropeçado em suas palavras em processos judiciais anteriores.
Jerome contou que planejou fazer uma versão digital de si mesmo, mas encontrou "dificuldades técnicas" na execução, o que o levou a criar uma pessoa falsa para a gravação. "Minha intenção nunca foi enganar, mas sim apresentar meus argumentos da maneira mais eficiente possível. No entanto, reconheço que a divulgação adequada e a transparência devem sempre ter precedência", disse ele na carta enviada aos juízes.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.