Papa Francisco faleceu no dia 21 de abrilAndrew Medichini/Pool/AFP

O próximo papa deverá ser uma figura de consenso, capaz de "recompor" as diferentes correntes da forma mais colegiada possível após um pontificado marcado por profundas divisões na Igreja Católica, antecipou o vaticanista italiano Marco Politi em entrevista à AFP.

"Este é o conclave mais espetacular dos últimos 50 anos. É o primeiro conclave em 50 anos em que há um forte sentimento de divisão na Igreja. Esse é seu principal desafio. E é claro, há um grande número de cardeais que vem dos lugares mais remotos do mundo, e uma grande parte deles não conhece uns aos outros nem o funcionamento do governo central da Igreja", disse.

"Podem ser bons sacerdotes em sua região, (...) mas não têm a experiência da máquina central. Muitos nunca foram a Roma e têm dificuldades com o idioma porque o italiano não é mais a língua comum. Tudo isso torna este conclave difícil", completou.

Politi citou ainda que o momento é de reunir os membros da igreja. Para isso, é necessário uma gestão mais "cuidadosa".

"Agora, justamente porque existe essa ideia de reunir a todos novamente, é necessária uma gestão mais cuidadosa, mais colegiada. Francisco trabalhou pouco em equipe com os escritórios da Cúria; alguns cardeais o criticaram por não convocar o Colégio Cardinalício".
O italiano também citou os principais desafios para o próximo papado "Além do abuso, que é um tema recorrente, há três desafios importantes: um é restaurar o senso de um sistema de trabalho colegiado, no qual o papa também considere os dicastérios da Cúria. Em segundo lugar, mais colegialidade entre os cardeais, que representam a universalidade da Igreja. Depois, há dúvidas se o Sínodo de Francisco continuará ou não. Enquanto estava no hospital, Francisco estabeleceu um programa de três anos com três pontos: promover o papel das mulheres, prestar contas e criar órgãos consultivos. Esse é o desafio: seu sucessor continuará o programa ou o abandonará?", disse.

Com informações da AFP.