Presidente mexicana, Claudia SheinbaumAFP
Em um evento público, Sheinbaum se referiu a relatos do "The Wall Street Journal" de que o republicano a havia pressionado para que o México aceitasse a presença de soldados norte-americanos em seu território.
“É verdade (...) mas não é como dizem”, disse Sheinbaum, explicando que, em uma ligação, Trump lhe perguntou como poderia ajudar a combater o crime organizado e propôs o envio do exército.
"Lhe disse: 'Não, presidente Trump, o território (do México) é inviolável, a soberania é inviolável (...), nunca vamos aceitar a presença do Exército americano em nosso território", afirmou. Ela explicou que ofereceu ao presidente dos EUA a colaboração e o compartilhamento de informações.
O próprio Trump reconheceu na semana passada, em uma entrevista ao meio de comunicação conservador "The Blaze", que se ofereceu para ajudar na luta contra os cartéis. Mas ele disse que recebeu uma recusa.
Ele também insistiu que o México "precisa" dessa ajuda. "Em algum momento, talvez algo tenha que acontecer. Isso não pode continuar assim", disse o presidente após ser questionado sobre uma possível intervenção.
Freio ao tráfico de armas
Uma das maiores reclamações de Trump, e argumento para impor tarifas, é que o México e o Canadá, seus vizinhos e parceiros comerciais no T-MEC, não estão fazendo o suficiente para impedir o tráfico de migrantes e drogas, especialmente o fentanil, para os Estados Unidos.
Por sua vez, uma antiga queixa mexicana é que Washington não conseguiu impedir o fluxo de armas que alimenta as gangues criminosas mexicanas.
Sheinbaum disse que, nessa área, ela pediu ajuda ao chefe de Estado. “Ontem (sexta-feira), o presidente deu uma ordem para que tudo o que for necessário seja feito para impedir que armas entrem em nosso país vindas dos Estados Unidos”, disse ela.
O México vem sendo atingido há quase duas décadas por uma onda de violência ligada ao tráfico de drogas que resultou em mais de 450 mil assassinatos, a maioria deles ligados ao crime, de acordo com números oficiais.
Os analistas veem essas pressões como uma manobra do presidente dos EUA para forçar o México a redobrar seus esforços de segurança.
O governo de Sheinbaum multiplicou as apreensões de drogas, enviou 10.000 soldados para a fronteira e entregou 29 chefes do tráfico à Justiça dos EUA em fevereiro passado.
Após assumir o cargo, Trump declarou uma “emergência” ao longo da fronteira compartilhada de 3.100 quilômetros e ordenou o envio de cerca de 9.600 militares.

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