Hamas pede que o mundo pressione o governo de Benjamin NetanyahuAFP

O Hamas afirmou nesta terça-feira (6) que não faz sentido iniciar negociações com Israel para uma trégua em Gaza e apresentou um apelo à comunidade internacional para interromper "guerra da fome", um dia após o anúncio israelense de um plano de "conquista" do território palestino.
"Não faz sentido iniciar negociações ou considerar novas propostas de cessar-fogo enquanto persistem a guerra da fome e a guerra de extermínio na Faixa de Gaza", declarou Bassem Naim, dirigente do movimento islamita palestino, à AFP.
"O mundo deve pressionar o governo de (o primeiro-ministro israelense Benjamin) Netanyahu para acabar com os crimes de fome, de sede e os massacres", disse Naim.
Na segunda-feira (5), o gabinete de segurança israelense anunciou a aprovação de um plano para ampliar a campanha militar na Faixa de Gaza, uma estratégia que inclui a "conquista" do território palestino e o controle dos territórios tomados.
O plano também implicará, segundo o Exército, o deslocamento interno da maioria dos habitantes de Gaza.
Praticamente todos os habitantes da Faixa, que tem população de 2,4 milhões, tiveram que se deslocar várias vezes desde o início, em outubro de 2023, da guerra em Gaza, provocada pelo ataque surpresa do movimento islamita Hamas contra Israel.
O território também enfrenta um cerco rigoroso imposto por Israel, que desde 2 de março impede a entrada de qualquer ajuda, o que provocou uma grave crise humanitária.
O Exército israelense retomou a ofensiva no enclave palestino em 18 de março, quando rompeu uma trégua de dois meses.
Nesta terça-feira, os bombardeios israelenses contra várias zonas da Faixa de Gaza mataram três palestinos, incluindo uma criança, informou o porta-voz da Defesa Civil, Mahmud Bassal.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, está "alarmado com o plano israelense, que vai conduzir, inevitavelmente, a um número incalculável de civis mortos e mais destruição de Gaza", declarou Farhan Haq, um dos seus porta-vozes.