Trump afirmou que captura de vídeo se tratava de um 'genocídio branco' na África do SulJim Watson/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exibiu uma captura de tela de um vídeo feito pela agência de notícias "Reuters" na República Democrática do Congo e, de forma falsa, afirmou que se tratava de uma prova de "genocídio de brancos" na África do Sul. A declaração foi feita durante uma reunião no Salão Oval, em Washington, na quarta-feira (21), com o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa.

O vídeo, publicado em 3 de fevereiro, mostra trabalhadores humanitários retirando sacos com corpos após confrontos com rebeldes no leste do Congo.
Imagem exibida por Trump foi feita na República Democrática do Congo - Jim Watson/AFP
Imagem exibida por Trump foi feita na República Democrática do CongoJim Watson/AFP
“São todos fazendeiros brancos que estão sendo enterrados”, declarou Trump, segurando uma impressão com o texto e a imagem durante o encontro com Ramaphosa.

O político se baseou em uma publicação da revista “American Thinker” sobre tensões raciais na África do Sul e no Congo. Enquanto a Casa Branca não respondeu aos questionamentos da "Reuters", a revista afirmou que a imagem foi “tirada de contexto” pelo presidente norte-americano.

A editora-chefe da revista, Andrea Widburg, disse que o texto tratava da "pressão crescente sobre os sul-africanos brancos" e incluía críticas ao governo de Ramaphosa, descrito como "disfuncional, marxista e obcecado pela questão racial".

O repórter da "Reuters" Djaffar Al Katanty, responsável pela gravação do vídeo, afirmou que ficou surpreso ao ver suas imagens sendo usadas fora de contexto por Trump para defender a tese de "genocídio branco".

"Diante de todo o mundo, o presidente Trump usou minha imagem, usou o que eu filmei no Congo para tentar convencer o presidente Ramaphosa de que, em seu país, pessoas brancas estão sendo mortas por pessoas negras", disse o jornalista.