Coluna de fumaça densa e fogo sobe sobre uma refinaria de petróleo no sul de TeerãAFP

O Exército israelense afirmou neste domingo (15) que sua força aérea atacou "mais de 80" alvos em Teerã, a capital iraniana, no terceiro dia de confrontos entre os dois arqui-inimigos.
Os bombardeios ocorreram "durante toda a noite", informou o Exército em um comunicado. Os ataques foram lançados contra "mais de 80 alvos, incluindo a sede do Ministério da Defesa iraniano, a sede do projeto nuclear (SPND) e outros alvos adicionais onde o regime iraniano escondeu o arquivo nuclear", acrescentou.
Em imagens, é possível ver uma coluna de fumaça densa e fogo sobre uma refinaria de petróleo no sul de Teerã, após ter sido atingida por um ataque israelense.
Disparos de mísseis iranianos contra Israel mataram pelo menos dez pessoas durante a noite. Equipes de resgate e soldados israelenses realizam buscas em meio aos escombros de prédios gravemente danificados.
O presidente norte-americano, Donald Trump, alertou o Irã que o Exército americano responderia com "força total" se atacassem seu país e enfatizou que Washington "não tem nada a ver" com os ataques de Israel às instalações nucleares de Teerã.

Israel iniciou sua ofensiva contra a República Islâmica na sexta-feira, bombardeando instalações militares e nucleares no país em ataques que deixaram dezenas de mortos e centenas de feridos.

O representante do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, informou na sexta-feira que pelo menos 78 pessoas morreram e mais de 320 ficaram feridas, a "grande maioria civis".

As autoridades iranianas não divulgaram um balanço atualizado, mas Teerã afirma que Israel matou nove cientistas nucleares e oficiais superiores da Guarda Revolucionária, o exército ideológico do país.

Em resposta, a República Islâmica lançou mísseis contra Israel, e os ataques mútuos continuaram neste domingo.

A polícia israelense informou que seis pessoas morreram e pelo menos 180 ficaram feridas em um ataque com mísseis durante a noite em Bat Yam, perto de Tel Aviv.

Equipes de emergência inspecionaram o prédio bombardeado ao amanhecer, e a polícia informou que pelo menos sete pessoas estavam desaparecidas.

"Houve uma explosão e pensei que a casa inteira tivesse desabado", disse Shahar Ben Zion, morador de Bat Yam. "Foi um milagre termos sobrevivido".

No norte de Israel, equipes de resgate e médicos disseram que um ataque destruiu um prédio de três andares em Tamra, matando quatro mulheres.

'Linha vermelha'

Após décadas de hostilidade e conflito, é a primeira vez que os arqui-inimigos se enfrentam com tamanha intensidade, aumentando o temor de um conflito prolongado que poderia afetar todo o Oriente Médio.

Na manhã deste domingo, jornalistas da AFP ouviram várias explosões em Teerã, capital iraniana.

O Exército israelense afirmou ter atacado a sede do Ministério da Defesa na cidade, e a agência de notícias iraniana Tasnim relatou danos leves.

A agência de notícias iraniana ISNA também relatou um ataque israelense a uma instalação do Ministério da Defesa na cidade central de Isfahan.

As forças israelenses alegaram ter atingido "a sede do projeto nuclear SPND (Organização de Pesquisa e Inovação em Defesa)", depósitos de combustível e outros alvos.

O Ministério do Petróleo iraniano afirmou que dois depósitos de combustível na área de Teerã foram atingidos.

Um jornalista da AFP viu um depósito em chamas em Shahran, a noroeste da capital.

Netanyahu prometeu no sábado atacar "todos os alvos do regime" no Irã, argumentando que queria impedir que o país adquirisse armas nucleares. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, alertou que novos ataques provocariam "uma resposta mais contundente".

Os ataques israelenses atingiram a instalação piloto de enriquecimento de urânio de Natanz, no centro do Irã, matando nove cientistas que trabalhavam no programa nuclear.

Oficiais de alto escalão do país também foram mortos, incluindo o chefe da Guarda Revolucionária, Hossein Salami, e o chefe do Estado-Maior, Mohammad Bagheri.

Neste domingo, o Exército israelense instou os iranianos a evacuarem as áreas próximas às instalações de armas em todo o país.

"O regime sionista cruzou uma nova linha vermelha no direito internacional" ao atacar instalações nucleares, declarou o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, durante reunião com diplomatas estrangeiros transmitida pela televisão estatal.

Ele também afirmou que Teerã possui "evidências sólidas" de que as forças americanas apoiaram os ataques israelenses.

"Estamos nos defendendo; nossa defesa é completamente legítima (...). Se a agressão cessar, nossas respostas naturalmente também cessarão", acrescentou.

Negociações suspensas 

Os ataques continuam, apesar dos apelos globais por uma desescalada. Irã e Estados Unidos haviam planejado uma nova rodada de negociações indiretas sobre o programa nuclear iraniano para este domingo, mediadas por Omã.

No entanto, Mascate anunciou no sábado que as negociações não ocorreriam, após o Irã acusar Israel de minar as discussões.

O ministro Araqchi, no entanto, declarou neste domingo que o Irã permanece aberto a um acordo nuclear, embora se recuse a abrir mão de seus "direitos nucleares".

As potências ocidentais, incluindo Estados Unidos e Israel, suspeitam que o Irã esteja buscando adquirir armas nucleares. Teerã, no entanto, nega essa acusação e defende seu direito de prosseguir com um programa nuclear para fins civis.

A Guarda Revolucionária iraniana declarou ter atacado instalações de reabastecimento de caças israelenses e prometeu responder "com maior ferocidade" se Israel continuar sua ofensiva.

Por sua vez, os rebeldes huthis do Iêmen alegaram ter disparado vários mísseis contra Israel, ataques "coordenados com operações realizadas pelo Exército iraniano".
*Com informações da AFP