Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, acompanhado pelo presidente dos EUA, Donald TrumpAFP
"Ele está forjando a paz enquanto falamos, em um país, em uma região após a outra", disse Netanyahu durante um jantar com Trump na Casa Branca.
O magnata republicano recebeu ao longo dos anos diversas indicações ao Nobel da Paz por parte de apoiadores e legisladores leais, e não esconde sua irritação por não ter ganhado o reconhecimento.
O governante norte-americano se queixou do fato de o Comitê Norueguês do Nobel ter ignorado seu papel de mediador nos conflitos entre Índia e Paquistão, bem como entre Sérvia e Kosovo.
Também reivindicou o mérito de "manter a paz" entre Egito e Etiópia e de ter negociado os Acordos de Abraão, uma série de acordos destinados a normalizar as relações entre Israel e diversos países árabes.
Trump se apresentou como um "pacificador" durante a campanha eleitoral, que utilizaria suas habilidades de negociação para pôr fim rapidamente às guerras em Ucrânia e Gaza, embora ambos os conflitos persistam depois de mais de cinco meses de mandato.
"Não acho que haja nenhum obstáculo. Acho que as coisas estão indo muito bem", disse o republicano aos jornalistas no começo do jantar, quando questionado sobre o que estava impedindo um acordo de paz em Gaza.
Sentado do outro lado de uma longa mesa diante do líder israelense, Trump também expressou sua confiança de que o movimento islâmico palestino Hamas está disposto a encerrar o conflito, que entra em seu 22º mês.
“Eles querem se reunir e querem ter esse cessar-fogo”, disse o presidente aos repórteres.
A reunião em Washington acontece enquanto Israel e Hamas realizam no Catar o segundo dia de negociações indiretas para alcançar uma trégua para a guerra desencadeada pelo ataque do movimento islamista palestino em 7 de outubro de 2023 ao território israelense.
“[Trump] está pedindo a paz enquanto conversamos, em um país, em uma região após a outra”, afirmou Netanyahu.
“Agora, as pessoas dirão que não é um Estado completo, não é um Estado. Não nos importa”, afirmou.
Dezenas de manifestantes compareceram às imediações da Casa Branca enquanto Trump e Netanyahu se reuniam, entoando palavras de ordem que acusavam o primeiro-ministro israelense de “genocídio”.
O presidente norte-americano tem apoiado firmemente Netanyahu, um aliado-chave dos Estados Unidos, prestando apoio na recente guerra de Israel com o Irã através do bombardeio das principais instalações nucleares de Teerã.
Mas, ao mesmo tempo, tenho pressões cada vez mais para pôr fim ao que foi classificado de “inferno” em Gaza. No domingo, Trump afirmou que acredita que há “boas possibilidades” de alcançar um acordo ainda esta semana.
“A prioridade máxima do presidente neste momento no Oriente Médio é pôr fim à guerra em Gaza e recuperar todos os reféns”, declarou à porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
Das 251 pessoas sequestradas em 7 de outubro de 2023 durante o ataque do Hamas em Israel, 49 continuam em cativeiro em Gaza, mas o Exército israelense acredita que 27 estão mortos.
O republicano disse que há "ótima cooperação" por parte de países no Oriente Médio procurados por EUA e Israel, mas não especificou se algum deles havia aceitado a proposta.
O primeiro-ministro de Israel afirmou que a parceria daria aos palestinos um "futuro melhor", sugerindo que os moradores de Gaza poderiam se mudar para países vizinhos.
"Se as pessoas quiserem ficar, podem ficar, mas se quiserem sair, devem poder sair", disse Netanyahu. "Estamos trabalhando em estreita colaboração com os Estados Unidos para encontrar países que busquem realizar o que sempre dizem, que querem dar aos palestinos um futuro melhor. Acho que estamos perto de encontrar vários países", acrescentou.
"Vamos ter que enviar mais armas, principalmente armas defensivas", disse Trump a jornalistas na Casa Branca.
"Estão sendo atingidos muito, muito fortemente", disse o dirigente americano sobre a Ucrânia, ao afirmar que "não está contente" com o presidente russo Vladimir Putin.
O chefe do Kremlin iniciou uma invasão da Ucrânia em larga escala em 2022 e tem mostrado pouca vontade de pôr fim ao conflito apesar da pressão de Trump.
A Ucrânia enfrenta os maiores ataques de mísseis e drones da Rússia nos três anos de guerra e uma paralisação do fornecimento de munições representa um desafio potencialmente sério para Kiev.
Sob o mandato do ex-presidente Joe Biden, Washington se comprometeu a proporcionar mais de 65 bilhões de dólares (R$ 354,5 bilhões, na cotação atual) em ajuda militar à Ucrânia.
Mas Trump, há tempos um crítico da assistência à Ucrânia, não seguiu o exemplo de seu antecessor democrata e não anunciou novos pacotes de ajuda militar para Kiev desde que assumiu o cargo em janeiro deste ano.




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