Zelensky chamou os bombardeios de 'assassinatos exemplares'AFP
Zelensky chamou os bombardeios de "assassinatos exemplares" e afirmou acreditar ser possível pressionar a Rússia a encerrar a guerra, que começou em fevereiro de 2022 com a invasão em larga escala das tropas de Moscou.
"Acredito que é possível pressionar a Rússia a encerrar esta guerra. Ela a começou e é possível forçá-la a encerrá-la", disse Zelensky após os bombardeios russos, segundo o Ministério ucraniano do Interior.
O presidente ucraniano alertou que "se o mundo não aspirar a uma mudança de regime na Rússia, isso significa que, mesmo após o fim da guerra, Moscou continuará tentando desestabilizar os países vizinhos", acrescentou em um discurso online durante um encontro na Finlândia pelo 50º aniversário da Conferência de Helsinque, que aliviou as tensões durante a Guerra Fria.
Zelensky pediu que os ativos russos fossem congelados e usados contra Moscou.
O ataque com drones e mísseis também deixou 135 feridos, entre eles doze crianças, informou no Telegram a administração militar da capital ucraniana.
"Uma manhã horrível"
Jornalistas da AFP presentes no local viram prédios residenciais em ruínas, carros carbonizados e bombeiros tentando apagar os restos de um incêndio, enquanto as equipes de resgate procuravam sobreviventes nos escombros.
Timofii, morador de Kiev, disse que acordou com "o som de um míssil".
"Tudo caiu em cima de mim, foi assustador", disse este morador do bairro Solomiansky, cujo apartamento foi destruído. Ele afirmou ter vivenciado "um pesadelo".
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiga, reiterou seus apelos por uma maior pressão sobre a Rússia após o que chamou de "uma manhã horrível em Kiev", citando a destruição de prédios residenciais e danos a escolas e hospitais.
"É hora de aplicar uma pressão máxima sobre Moscou", declarou o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, que afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, "tem sido muito generoso e muito paciente" com o presidente russo, Vladimir Putin.
Este ataque russo ocorreu depois que o presidente americano deu a Putin um ultimato de dez dias, na segunda-feira, para encerrar a guerra na Ucrânia, ameaçando impor novas sanções.
Após o aviso de Trump, o ex-presidente russo Dmitry Medvedev, atual número 2 do Conselho de Segurança, disse no X que "cada ultimato é uma ameaça e um passo para a guerra", ao que o republicano respondeu nesta quinta-feira afirmando que o russo estava entrando "em uma zona muito perigosa".
Rússia reivindica reduto-chave
"Sempre aconselho a não considerar o Ministério da Defesa russo como fonte de informação. Eles simplesmente mentem de forma sistemática, e o simples fato de nos pedirem sempre para comentar suas mentiras mais recentes é um erro", disse Viktor Tregubov, porta-voz do Grupo Operacional Estratégico de Forças em Khortitsia.
No Telegram, Oleksander Kovalenko, especialista militar ucraniano, considerou que é "muito cedo" para afirmar que Chasiv Yav passou para o controle das forças russas, e considerou que a defesa da cidade há mais de dois anos já representa um "recorde absoluto" para o Exército ucraniano.
Se a alegação da Rússia for confirmada, as tropas de Moscou ganharão uma posição estratégica no topo de uma colina, após meses de progresso lento, mas constante.
Chasiv Yar tinha cerca de 12 mil habitantes antes da guerra, mas agora está completamente devastada.
A ocupação de toda Donetsk tem sido uma prioridade para o Kremlin desde que reivindicou a anexação dessa região como parte de seu território em setembro de 2022.
Apesar da pressão dos Estados Unidos, a Rússia intensificou seus bombardeios contra a Ucrânia nas últimas semanas, e a última rodada de negociações de paz em Istambul mais uma vez evidenciou a distância entre as posições dos dois lados.
A Rússia reivindica as quatro regiões ucranianas parcialmente ocupadas que alegou ter anexado em setembro de 2022: Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia, e exige que Kiev renuncie às suas aspirações de aderir à Otan.
Essas condições são inaceitáveis para a Ucrânia e seus aliados ocidentais.

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