Justiça portuguesa anunciou a abertura de uma investigação para determinar as causas do acidenteAFP
O acidente aconteceu na tarde de quarta-feira (3) perto da Avenida da Liberdade, quando o famoso bondinho, que liga a Praça do Rossio às localidades do Bairro Alto e Príncipe Real, saiu dos trilhos e colidiu com um edifício.
Segundo um balanço atualizado nesta quinta pelos serviços de emergência, pelo menos 16 pessoas faleceram e 22 ficaram feridas, 11 delas estrangeiras: dois espanhóis, dois alemães, uma francesa, um italiano, um suíço, um canadense, um coreano, um marroquino e um cabo-verdiano.
O balanço anterior era de 15 vítimas fatais, mas dois feridos faleceram durante a noite, segundo a diretora da Proteção Civil, Margarida Castro. A Justiça portuguesa anunciou a abertura de uma investigação para determinar as causas do acidente.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram, em meio a uma nuvem de fumaça, o vagão completamente destruído contra uma parede, depois de aparentemente não ter feito a curva no final da rua pela qual transitava. Os pedestres observavam uma cena horrorizada.
Diante da tragédia, o governo português decretou um dia de luto nacional para esta quinta-feira em homenagem aos falecidos, cujas identidades serão divulgadas em breve pelo Ministério Público.
Um grande dispositivo - com bombeiros, policiais e funcionários dos serviços de emergência médica - trabalhou durante a noite ao redor do vagão destruído, que ficou tombado contra uma parede na ladeira íngreme pela qual circulava diariamente.
Os serviços de emergência informaram que os outros três bondinhos da capital foram paralisados para verificações de segurança.
Uma testemunha do acidente relatou ao canal SIC que viu o veículo descer "a toda velocidade". “Bateu contra um edifício com uma força brutal e desmanchou como uma caixa de papelão, não tinha freios”, contou a mulher.
O prefeito de Lisboa, Carlos Moedas, chamou o descarrilhamento de "uma tragédia que nunca ocorreu em nossa cidade".
O gabinete do primeiro-ministro português, Luís Montenegro, afirmou que os factos “causaram dor às famílias e consternação ao país”. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, expressou condolências às famílias.
Protocolos de manutenção
A empresa que opera o transporte público de Lisboa afirmou que cumpriu “todos os protocolos de manutenção”.
“Tudo foi escrupulosamente respeitado”, declarou Pedro Bogas, diretor da Lisboa Carris, no local do acidente. Ele disse que uma empresa externa faz a manutenção dos bondinhos há 14 anos.
A revisão geral acontece a cada quatro anos e a última ocorreu em 2022, segundo a Carris. A manutenção iniciada acontece a cada dois anos e foi concluída em 2024.
Turistas e moradores utilizam os bondinhos de Lisboa para subir e descer as ladeiras da capital. O vagão amarelo de formato quadrado é considerado um ícone da cidade e é uma imagem comum nos souvenirs das lojas de presentes de Lisboa.
Segundo o site dos Monumentos Nacionais, o Elevador da Glória foi construído pelo engenheiro franco-português Raoul Mesnier du Ponsard e inaugurado em 1885. A partir de 1915, passou a ser movido por eletricidade.

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