Testamento do estilista Giorgio Armani foi divulgado nesta sexta-feiraDivulgação

A lenda da moda Giorgio Armani pediu em seu testamento, tornado público nesta sexta-feira, 12, que um importante grupo de luxo adquirisse uma participação de 15% em sua empresa, citando LVMH, EssilorLuxottica ou L'Oréal como possíveis compradores. Os indicados têm uma característica em comum: mantiveram colaboração com o estilista durante a sua carreira. 

O grupo Armani, cujas atividades vão da alta-costura até a hotelaria, é avaliado em bilhões de euros.
L'Oréal, que possui a licença da Armani para perfumes e cosméticos desde 1988, indicou que estuda "com grande consideração essa perspectiva, que se inscreve no âmbito de [uma] longa história comum".

A EssilorLuxottica também analisará "atentamente", comentou um porta-voz da empresa à imprensa italiana, "orgulhoso da estima" que o estilista demonstrou pelo grupo.

Embora Giorgio Armani tenha permanecido independente ao longo de sua vida, o novo acionista terá a possibilidade de assumir o controle do grupo, adquirindo entre 30% e 54,9% do restante do capital em um prazo de três a cinco anos.

Gestão 'ética'
O casal e braço direito de Giorgio Armani, Leo Dell'Orco, junto com seus dois sobrinhos, serão responsáveis por tomar essas decisões sobre o capital, na qualidade de acionistas da fundação Armani.

Se a venda não for concretizada, o estilista pediu que a empresa passe a ser cotada na Bolsa. Armani também pediu que sua empresa fosse administrada "de forma ética, com integridade moral e correção", e insistiu na "busca por um estilo essencial, moderno, elegante e discreto", e com "atenção à inovação, à excelência, à qualidade e ao refinamento do produto".

A direção da Armani confirmou nesta sexta-feira a publicação do testamento e acrescentou que "a primeira tarefa" da fundação "será propor o nome do novo diretor-geral" do grupo.

A fundação nunca possuirá menos de 30% do capital, atuando assim como garante permanente do "respeito aos princípios fundacionais", esclareceu Armani.
Giorgio Armani havia se tornado um dos homens mais ricos do mundo e o quarto mais rico da Itália, com um patrimônio estimado em 11,8 bilhões de dólares (R$ 63,5 bilhões), segundo a revista Forbes.

Ele liderava um império com mais de 9 mil funcionários no fim de 2023 e um faturamento de 2,3 bilhões de euros (R$ 14,5 bilhões) em 2024, segundo o grupo.

Mais de 600 lojas em todo o mundo vendem roupas Armani em várias linhas: Giorgio Armani, Emporio Armani, A|X Armani Exchange e EA7.

A fundação terá 10% das ações da empresa e o restante em propriedade nua, com 30% dos direitos de voto. Leo Dell'Orco terá 40% dos direitos de voto e os sobrinhos do estilista, Silvana Armani e Andrea Camerana, 15% cada um.

O outro império do estilista, o imobiliário, foi deixado à sua irmã Rosanna e aos seus sobrinhos Andrea e Silvana. No entanto, Leo dell'Orco mantém o usufruto de suas diversas propriedades localizadas em Saint-Tropez (França), Saint-Moritz (Suíça) ou nas ilhas de Antigua e Pantelária.