A escritora, poeta e historiadora angolana Ana Paula Tavares conquistou o Prêmio Camões 2025Divulgação/Fundação Biblioteca Nacional
A decisão ocorreu nesta quinta-feira (8) em uma reunião virtual do júri, que é composto por membros brasileiros, portugueses, angolanos e moçambicanos. De acordo com o júri, o prêmio foi concedido a Ana Paula Tavares, “distinguindo a sua fecunda e coerente trajetória de criação estética e, em especial, o seu resgate de dignidade da Poesia” e completou “com a dicção do seu lirismo sem concessões evasivas e com os livres compromissos da produção em crônica e em ficção narrativa, a obra de Ana Paula Tavares ganha também relevante dimensão antropológica em perspectiva histórica”.
Compõem o grupo de jurados o professor da Universidade de Coimbra (Portugal), José Carlos Seabra Pereira; a professora da Universidade de Lisboa (Portugal), poeta e ensaísta Ana Mafalda Leite; o professor da Universidade Eduardo Mondlane (Moçambique), Francisco Noa; a professora e pesquisadora da PUC-SP (Brasil), Lucia Santaella; o historiador, advogado e membro da Academia Brasileira de Letras, Arno Wehling (Brasil); e o escritor e crítico literário Lopito Feijó (Angola).
Para a ministra da Cultura, Margareth Menezes, a escolha de Ana Paula Tavares celebra a força e a beleza da literatura lusófona.
“Sua poesia, tecida de memória, resistência e afeto, revela a potência das vozes africanas e femininas que enriquecem os patrimônios culturais. Reconhecemos sua obra como laços profundos que unem Brasil, Angola e todos os países da lusofonia pela arte, pela palavra e pela história compartilhada”, afirmou.
O presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Marco Lucchesi, destacou que Ana Paula Tavares é uma "representante extraordinária" da lusofonia, principal vocação do Prêmio Camões.
"Poeta, ensaísta, pesquisadora, ela reúne todas as virtudes que deságuam num compromisso ético. Seu olhar é marcado pela urgência, ao reivindicar as questões da África, do Brasil e de Portugal, atenta aos grandes desafios contemporâneos”, disse Lucchesi.
Sobre a vencedora
Entre poesia, crônicas e romances, Ana Paula Tavares publicou mais de dez livros, em títulos como Ritos de Passagem (1985), O Lago da Lua (1999), A Cabeça de Salomé (2004) e Um rio preso nas mãos (2019). Em 2004, ganhou o Prêmio Mário Antônio de Poesia, atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian, com o livro Dizes-me coisas amargas como os frutos.
A escritora angolana recebeu ainda o Prêmio Nacional de Cultura e Artes de Angola na categoria literatura, em 2007, pelo livro Manual para amantes desesperados. Segundo a FBN, obras da autora estão presentes em antologias publicadas em países como Portugal, Brasil, França, Alemanha, Espanha e Suécia.
Prêmio Camões
A cada edição, o júri é composto por dois portugueses, dois brasileiros e dois representantes dos demais países membros da CPLP: Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique, Timor Leste e São Tomé e Príncipe. Cada jurado tem mandato de dois anos.
Conheça os vencedores do Prêmio Camões, por ordem cronológica:
Miguel Torga (Portugal), João Cabral de Mello Neto (Brasil), José Craveirinha (Moçambique), Vergílio Ferreira (Portugal), Rachel de Queiroz (Brasil), Jorge Amado (Brasil), José Saramago (Portugal), Eduardo Lourenço (Portugal), Pepetela (Angola), António Cândido (Brasil), Sophia de Mello Breyner Andresen (Portugal), Autran Dourado (Brasil), Eugénio de Andrade (Portugal), Maria Velho da Costa (Portugal), Rubem Fonseca (Brasil), Agustina Bessa-Luís (Portugal), Lygia Fagundes Telles (Brasil), Luandino Vieira - recusado (Angola), António Lobo Antunes (Portugal), João Ubaldo Ribeiro (Brasil), Arménio Vieira (Cabo Verde), Ferreira Gullar (Brasil), Manuel António Pina (Portugal), Dalton Trevisan (Brasil), Mia Couto (Moçambique), Alberto da Costa e Silva (Brasil), Hélia Correia (Portugal), Radouan Nassar (Brasil), Manue Alegre (Portugal), Germano Almeida (Cabo Verde), Chico Buarque (Brasil), Vítor de Aguiar e Silva (Portugal), Paulina Chiziane (Moçambique), Silviano Santiago (Brasil), João Barrento (Portugal), Adélia Prado (Brasil).
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