Trump recebeu Milei nos EUA dias depois de sua administração anunciar uma ajuda de US$ 20 bilhões à ArgentinaGetty Images North America
O anúncio de um swap (acordo para o intercâmbio de moedas) com o governo de seu par americano, Donald Trump, ocorre em meio a uma desvalorização do peso argentino e se soma a outras medidas do Tesouro americano em apoio a Milei antes das eleições de 26 de outubro.
Milei explicou detalhes do mecanismo em uma entrevista concedida no sábado, mas publicada nesta segunda-feira (20).
"Só será executado quando você precisar", disse ao canal local 8. "Caso não possamos acessar o mercado de capitais porque o risco país continua muito alto, faremos os pagamentos de 2026 utilizando a linha de 'swap', e isso seria contrair dívida para pagar dívida".
"É para dar segurança àqueles que investiram na Argentina, para que o risco país diminua, a taxa de juros caia e os argentinos possam ter acesso ao crédito", detalhou.
Em resposta às críticas que enfrenta nos Estados Unidos pela ajuda à Argentina, o presidente americano disse no domingo a jornalistas que "a Argentina está lutando por sua vida. Eles não têm dinheiro, não têm nada (...) Estão morrendo".
Na semana passada, o Tesouro americano interveio no mercado de câmbio argentino e comprou pesos no "blue chip swap" e no mercado à vista.
Um "blue chip swap" permite que um investidor compre um ativo estrangeiro, geralmente desvalorizado, e depois o venda no mercado local a um preço mais alto.
Outros alertam que os Estados Unidos podem estar se envolvendo em um "Vietnã financeiro" ao tentar conter a desvalorização do peso argentino, como advertiu Jorge Carrera, ex-diretor do Banco Central.
A intervenção americana não foi suficiente para deter a escalada do dólar: nesta segunda-feira, a moeda americana ultrapassou o teto da banda de flutuação cambial, chegando a 1.495 pesos.
A corrida começou em 8 de setembro, após a derrota do partido governista nas eleições legislativas na província de Buenos Aires. Desde então, o peso se desvalorizou 7% em relação ao dólar.
Na semana passada, Trump e Milei tiveram um almoço oficial em Washington, no qual o americano declarou: "Se ele perder as eleições, não seremos generosos com a Argentina", em alusão ao aliado.
No domingo, Milei tentará aumentar seu escasso apoio legislativo, embora não tenha perspectivas de alcançar uma maioria, nem mesmo a principal minoria.
No entanto, buscará que seu pequeno partido, A Liberdade Avança, obtenha cadeiras suficientes para garantir certa margem de manobra se somar os legisladores aliados de centro-direita.
Isso lhe permitiria conseguir a governabilidade necessária para aprofundar sua agenda de reformas econômicas. Seu foco está nas reformas trabalhista, tributária e previdenciária, que são contestadas por amplos setores da população.
O governo minimiza a importância de obter um grande número de votos nas eleições.

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